EUA e Honduras analisam migração e combate à corrupção

Delegações dos Estados Unidos e de Honduras iniciaram, nesta terça-feira (10), "um diálogo estratégico" sobre migração, combate à corrupção, segurança, prosperidade, direitos humanos e violência de gênero, informaram fontes oficiais.

A embaixadora dos Estados Unidos em Tegucigalpa, Laura Dogu, disse que o contato faz parte das conversas entre a vice-presidente americana, Kamala Harris, e a presidente hondurenha, Xiomara Castro, há um ano.

Harris esteve em Tegucigalpa em 27 de janeiro do ano passado, durante a posse de Castro. Ambas falaram sobre a criação de oportunidades e o combate à corrupção em Honduras, a fim de acabar com as causas da migração irregular para os Estados Unidos.

A chancelaria hondurenha informou, em nota, que nas deliberações "serão abordados temas como migração digna, segura, ordenada e humana, governança, (luta) anticorrupção, prosperidade social e econômica, segurança (...), violência de gênero e proteção de defensores dos direitos humanos".

Dogu enfatizou que o diálogo sobre direitos humanos "é muito importante para nossos dois países" e que a delegação "bastante grande" proveniente de Washington mostra a importância que os Estados Unidos atribui à sua relação com Honduras.

O vice-chanceler hondurenho, Antonio García, destacou que a presença da missão dos Estados Unidos chefiada por Uzra Zeya, subsecretário de Estado para Segurança Civil, Democracia e Direitos Humanos, "indica que as relações com os Estados Unidos são abertas, fluidas".

Para Honduras, a delegação é chefiada pelo chanceler, Enrique Reina.

O sociólogo cubano, americano e hondurenho Ricardo Puerta, especialista em questões migratórias, disse à AFP que o diálogo em Tegucigalpa "é um complemento" da cúpula entre os presidentes dos Estados Unidos (Joe Biden), México (Andrés Manuel López Obrador) e o primeiro-ministro canadense (Justin Trudeau) "em busca da agenda regional".

Para Puerta, a reunião de Tegucigalpa pretende promover Honduras para a "integração" em bloco com Guatemala e El Salvador, o chamado triângulo norte da América Central, uma agenda que interessa aos Estados Unidos e aos demais países.

Nos três países e no México têm origem o maior fluxo migratório para os Estados Unidos. Eles também servem de ponte para cubanos, venezuelanos e africanos que seguem rumo ao Norte, provocando uma crise migratória na fronteira sul.

nl/gm/ms/mvv