EUA e Irã se desentendem sobre sanções; EUA veem possível "impasse"

Francois Murphy e John Irish e Arshad Mohammed e Humeyra Pamuk
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Chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif

Por Francois Murphy e John Irish e Arshad Mohammed e Humeyra Pamuk

VIENA/PARIS (Reuters) - Autoridades norte-americanas e iranianas se desentenderam nesta sexta-feira sobre quais sanções os Estados Unidos deveriam suspender para a retomada do acordo nuclear de 2015, e Washington prevê um impasse se Teerã seguir com uma exigência de que todas as sanções desde 2017 sejam removidas.

Os dois países estabeleceram posições duras durante conversas indiretas em Viena sobre como trazer ambos de volta ao cumprimento total do acordo, mas alguns delegados citaram progresso.

As negociações, nas quais autoridades da União Europeia estão fazendo a intermediação entre as partes restantes do acordo e os Estados Unidos, visam restaurar o ponto central do acordo --restrições às atividades nucleares do Irã em troca da retirada de sanções norte-americanas e internacionais.

Os Estados Unidos foram os primeiros a renegar o acordo sob a liderança do então presidente Donald Trump, que se opôs veementemente ao pacto e tentou destruí-lo. Ele retirou o país do acordo, impôs novamente as sanções retiradas e instituiu mais. O Irã respondeu violando muitas das restrições nucleares.

"Todas as sanções de Trump eram antipacto e precisam ser removidas - sem distinção entre designações arbitrárias", disse o ministro iraniano das Relações Exteriores, Javad Zarif, no Twitter.

Os Estados Unidos afirmam estar dispostos a suspender "as sanções incompatíveis com o acordo". Embora tenham se recusado a entrar em detalhes, isso parece excluir as sanções formalmente não relacionadas às questões nucleares envolvidas no pacto.

Uma autoridade graduada do Departamento de Estado dos EUA disse a repórteres que os EUA viram alguns sinais da seriedade do Irã sobre o retorno ao acordo nuclear, mas "certamente não o suficiente".

"Se o Irã mantiver a posição de que todas as sanções que foram impostas desde 2017 têm de ser retiradas ou não haverá acordo, então estamos caminhando para um impasse", declarou a autoridade dos EUA a repórteres em uma teleconferência.