EUA e Japão estendem acordo de defesa ao espaço em meio a preocupações com a China

Estados Unidos e Japão concordaram, na quarta-feira (11), que seu tratado de segurança e defesa se aplica ao espaço, anunciando a implantação de uma unidade naval mais ágil em solo aliado, em meio a crescentes preocupações com a China.

Semanas depois de revelar planos para aumentar os gastos com defesa, o Japão enviou seus ministros da Defesa e das Relações Exteriores a Washington, e os dois países emitiram uma declaração conjunta, prometendo "modernizar a aliança para lidar com o ambiente de segurança cada vez mais intenso".

Os diálogos acontecem dois dias antes do primeiro-ministro Fumio Kishida visitar os Estados Unidos como parte de uma viagem aos países do Grupo dos Sete para inaugurar a presidência japonesa, este ano, do seleto clube das democracias industriais.

Enquanto a China faz rápidos avanços em satélites, os Estados Unidos e o Japão alertaram, em sua declaração, que "ataques no, a partir de, ou dentro do espaço, apresentam um claro desafio à segurança da aliança", que poderia invocar o Artigo Cinco de seu tratado de defesa mútua. Este acordo contempla que um ataque a um país é considerado um ataque a ambos.

O chefe do Pentágono, Lloyd Austin, se reuniu nesta quinta-feira com seu homólogo japonês, Yasukazu Hamada, para reiterar o "compromisso inabalável dos Estados Unidos com a defesa do Japão", incluindo a "dissuasão ampliada que fornece o alcance das capacidades convencionais e nucleares" do país norte-americano, segundo um comunicado.

O encontro ocorre um dia após os Estados Unidos anunciarem que vão implementar uma nova unidade móvel de fuzileiros navais na ilha de Okinawa, no sul do Japão e estrategicamente perto de Taiwan, para reforçar a defesa do país.

"Vamos substituir um regimento de artilharia por esta força que será mais letal e mais móvel" em 2025, declarou Austin na quarta-feira.

"Concordamos que a República Popular da China é o maior desafio estratégico comum enfrentado por nós, por nossos aliados e por nossos parceiros", afirmou o secretário de Estado americano, Antony Blinken, em entrevista coletiva junto com seu homólogo japonês, bem como com os ministros da Defesa dos dois países.

O ministro japonês das Relações Exteriores, Yoshimasa Hayashi, disse que os Estados Unidos e o Japão têm, juntos, "a visão de uma aliança modernizada para assumir a posição que nos permite vencer na nova era de competição estratégica".

- Riscos para Taiwan -

Okinawa abriga mais da metade das 50.000 tropas de Washington no arquipélago japonês.

Hayashi afirmou que o governo japonês continuaria trabalhando para atender às preocupações dos moradores.

A reunião ocorre semanas depois de Tóquio anunciar uma grande revisão de sua doutrina de defesa.

O cálculo do Japão mudou, enquanto a China está sob a presidência de Xi Jinping.

O Japão, que classificou a China como "desafio estratégico sem precedentes" para sua segurança, aprovou em dezembro uma revisão que inclui um enorme aumento do gasto militar em cinco anos.

Este é um importante ponto de virada para o país, cuja Constituição pacifista, adotada após sua derrota na Segunda Guerra Mundial, proíbe-o, a princípio, de ter um Exército completo.

A China reivindica Taiwan, uma democracia autônoma, como parte de seu território. No ano passado, Pequim fez movimentos que foram vistos como um ensaio para uma invasão, após uma visita desafiadora a Taipei por parte de Nancy Pelosi, então presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos.

"Não vou questionar o sr. Xi, mas o que vou dizer a ele é que o que estamos vendo recentemente é um comportamento muito provocativo das forças chinesas", disse Austin.

"Achamos que eles estão se esforçando para estabelecer um novo normal, mas se isso significa, ou não, uma invasão iminente, você sabe, duvido seriamente", disse ele.

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Wang Wenbin, disse que, "ao realizar a cooperação militar bilateral, Estados Unidos e Japão devem garantir que não prejudique os interesses de terceiros, ou a paz e a estabilidade regional".

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