EUA e México discutem colaboração para enfrentar crise migratória

Joe Biden e Andrés Manuel López Obrador discutem crise migratória em reunião virtual (AFP/Jim WATSON, Pedro PARDO) (Jim WATSON, Pedro PARDO)

O presidente americano, Joe Biden, conversou por telefone nesta sexta-feira (29) com o colega mexicano, Andrés Manuel López Obrador, sobre a crise migratória na fronteira e a Reunião de Cúpula das Américas, dias antes da viagem de Obrador à América Central.

Os líderes conversaram por quase uma hora sobre a importância do trabalho regional "para garantir meios de vida seguros e sustentáveis para seus respectivos cidadãos e populações migrantes", uma proposta reiterada do presidente mexicano de esquerda, reportou o governo mexicano em comunicado.

"A criação de empregos na América Central e os esforços para expandir as vias legais para migrantes e refugiados" voltaram a ser discutidos na conversa entre os presidentes, segundo o texto.

Antes, a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, havia dito que "a maior parte da conversa foi sobre a migração e o contínuo trabalho em coordenação, coordenação econômica, sobre tomar medidas para reduzir a migração ao longo da fronteira". Os dois conversaram por 52 minutos, em um tom "muito construtivo", acrescentou. No Twitter, López Obrador publicou que o diálogo foi cordial.

- 'Precisamos confiar' -

A crise migratória é um dos principais problemas tanto para os Estados Unidos quanto para o México.

O Departamento de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos reportou 7.800 apreensões de imigrantes irregulares por dia na fronteira com o México nas últimas três semanas, quase cinco vezes a média de 2014-2019, antes da pandemia de covid-19.

E esse número pode aumentar em maio com a revogação do Título 42, norma sanitária por meio da qual os EUA expulsam quase todos os imigrantes ilegais. Essa rescisão divide os republicanos e alguns congressistas democratas dos estados que fazem fronteira com o México.

"Precisaremos confiar em nossa parceria mais do que nunca para ter uma resposta coordenada ao aumento, com pessoal e recursos adicionais em ambos os lados de nossa fronteira para garantir uma resposta ordenada e humana" ao fluxo migratório, afirmou antes do encontro uma funcionária americana, que pediu anonimato.

- Cúpula das Américas -

Antes da reunião, outro funcionário, que também pediu anonimato, disse que os líderes também discutiriam as prioridades da Cúpula das Américas, marcada para junho em Los Angeles, no contexto do impacto econômico da guerra na Ucrânia. Indicou, ainda, que examinariam formas de promover a recuperação econômica pós-pandemia na região.

López Obrador viajará na próxima semana à Guatemala, El Salvador, Honduras, Belize e Cuba. O chanceler do México, Marcelo Ebrard, viajará a Washington para "avançar em temas" antes desse conclave.

Os dois países estão interessados em mobilizar uma ampla resposta nas Américas e estão "trabalhando em estreita colaboração com o México e outros parceiros chave para avançar em uma declaração forte que aponte para o futuro e reflita o espírito de responsabilidade compartilhada sobre a migração", disse a funcionária.

"Temos uma agenda econômica sólida e com visão de futuro no marco do diálogo econômico de alto nível" e nos comprometemos a fortalecer as cadeias de fornecimento e a "orientar nossas economias em direção às indústrias do futuro", acrescentou.

Isso não significa que não exista divergências entre o México e seu principal parceiro comercial. O governo de López Obrador não deu muita atenção aos apelos de Washington por uma frente forte contra a Rússia pela invasão da Ucrânia, defendendo uma posição mais neutra.

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