EUA e Rússia anunciam troca de prisioneiros, mas negam avanços diplomáticos

***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 17.06.2014 - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 17.06.2014 - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio a tensões crescentes entre Washington e Moscou, um avanço diplomático inesperado foi anunciado pelos governos dos Estados Unidos e da Rússia nesta quarta-feira (27), quando os dois países selaram um acordo para a troca de prisioneiros.

A chancelaria russa comunicou a troca de Trevor Reed, ex-fuzileiro naval americano condenado em 2020 a nove anos de prisão por violência, pelo cidadão russo Konstantin Iarochenko, piloto que cumpria sentença de 20 anos de detenção por acusações de tráfico de cocaína.

A família de Reed e autoridades americanas caracterizaram sua condenação em Moscou como uma "farsa absurda", e o ex-fuzileiro dizia se tratar de uma perseguição política pelo fato de ter integrado fileiras das Forças Armadas americanas. Parentes confirmaram sua liberação e disseram que, agora, estarão concentrados em cuidar dos problemas de saúde que ele adquiriu na prisão.

Natural do Texas, Reed viajou para a Rússia há três anos para visitar a namorada, que conheceu pela internet. Pouco antes de retornar para os EUA, foi a uma festa nos arredores de Moscou e, embriagado, foi levado pela polícia local para uma delegacia. Os agentes de segurança russos o acusaram de colocar em risco a vida dos policiais. Ele passou 11 meses em uma prisão, até ser julgado e condenado.

Imagens do canal de TV estatal Rússia 24 mostraram o ex-fuzileiro sendo escoltado para o aeroporto de Vnukovo, na capital Moscou, de onde embarcou rumo aos EUA. Os pais de Reed disseram, em março, que ele havia iniciado uma greve de fome para protestar contra o fato de ter sido colocado em uma solitária e não receber cuidados médicos adequados, ainda que suspeitasse estar com tuberculose.

O Serviço Penitenciário Federal russo, por sua vez, negou que ele estivesse com a doença ou que tivesse tido contato com pessoas infectadas e descreveu a saúde do americano como satisfatória.

Já Iarochenko deve voltar para seu país em breve, informou a esposa do piloto russo à agência de notícias Tass. Ele foi detido em 2010 na Libéria por agentes de serviços secretos americanos e acusado de organizar uma rede internacional de contrabando de cocaína.

A troca de prisioneiros foi resultado de um longo processo de negociação, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em um aplicativo de mensagens.

Já o presidente americano, Joe Biden, disse que as negociações exigiram decisões difíceis e que muito foi analisado antes de tomá-las. "A volta segura de Reed é uma prova da prioridade que meu governo dá para trazer os americanos detidos injustamente ou como reféns em outros países", disse o democrata.

O secretário de Estado Antony Blinken, em tom semelhante, afirmou que a administração seguirá comprometida em garantir a liberdade dos cidadãos americanos detidos de forma injusta no exterior.

À agência de notícias Reuters um alto funcionário do governo americano disse que as tratativas com a Rússia estiveram estritamente limitadas à pauta da liberação de detentos, sem discussões diplomáticas mais amplas entre as duas nações.

Outros americanos permanecem detidos na Rússia, como Paul Whelan, condenado em 2020 a 16 anos de prisão por acusações de espionagem durante um julgamento fechado ao público, e Brittney Griner, jogadora de basquete presa em meados de março deste ano após ser vista portando em sua bagagem cartuchos de vaporizadores contendo um derivado de cânabis (maconha) em forma oleosa.

A notícia da troca de prisioneiros ocorre um dia após a administração Biden anunciar os primeiros indultos da gestão, que devem livrar da prisão condenados por crimes não violentos ligados a drogas, como parte de uma iniciativa para reforçar seu histórico sobre justiça racial em um ano de eleições de meio de mandato, quando a estreita maioria do Partido Democrata no Legislativo americano estará em jogo.

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