EUA emergem como novo epicentro mundial do coronavírus; desemprego dispara

Por Shaun Tandon en Washington, Laura BONILLA
Dezenas de nova-irquinos fazem fila no Elmhurst Hospital Center de Jackson Heights, Queens, em Nova York, para fazer teste de coronavírus

Os Estados Unidos estão se tornando rapidamente um novo epicentro da pandemia de coronavírus, como mostra a disparada de casos nesta quinta-feira, enquanto o desemprego atinge máximas históricas.

Hospitais de Nova York se declararam tomados pelo número crescente de casos de Covid-19, e cerca de 40% da população do país está em quarentena. Ainda assim, Wall Street recuperou parte do prejuízo gigantesco deste mês com o anúncio de um pacote de resgate econômico de 2 trilhões de dólares negociado no Congresso.

Mais de 100 mortes por causa do novo coronavírus foram registradas nas últimas 24 horas em Nova York, onde uma longa fila de pessoas, a maioria usando máscaras e se posicionando a dois metros de distância de outras, aguardava do lado de fora do hospital Elmhurst, no Queens, para serem testadas.

O governo Andrew Cuomo disse que a prioridade é "achatar a curva" de novos casos na área metropolitana de Nova York. O estado possui 53 mil leitos hospitalares, mas tenta aumentar sua capacidade para 140 mil, que acredita que serão necessários em 20 dias, quando se atingir o pico da pandemia.

"Sabemos que enfrentaremos enormes desafios em termos de criar espaço suficiente nos hospitais ou de ter um número suficiente de funcionários treinados para nos ajudar nesta crise", comentou o prefeito de Nova York, Bill de Blasio.

O número de mortes causadas pelo novo coronavírus chegou a mil na noite desta quarta-feira, e o país já contabilizava 69.246 casos confirmados, segundo a base de dados da Universidade Johns Hopkins. Mais de um terço destas mortes ocorreram no estado de Nova York. O verdadeiro número de casos pode ser muito maior, uma vez que não há testes suficientes disponíveis.

- Desemprego dispara -

A pandemia já causou estragos na maior economia mundial, que parece caminhar para uma recessão. Segundo o Departamento do Trabalho, 3,3 milhões de pessoas solicitaram auxílio-desempego na semana passada, a maior cifra já registrada. Milhares de postos foram perdidos em bares, restaurantes, hotéis e nas indústrias dos transportes e entretenimento.

O Congresso americano, normalmente polarizado, uniu-se para enfrentar a crise. O Senado aprovou por unanimidade, nesta madrugada, um pacote de estímulo de 2 trilhões de dólares - o maior resgate da história americana -, que pemitirá a famílias com uma média de quatro pessoas receberem um pagamento de 3.400 dólares.

O projeto de lei será discutido amanhã na Câmara dos Representantes. "Será aprovado, com forte apoio bipartidário", afirmou a líder da câmara, Nancy Pelosi. "Amanhã, teremos uma vitória dos trabalhadores americanos."

Muitos operadores do mercado esperam que a Covid-19 seja um desafio de curto prazo, seguido de uma forte recuperação, visão compartilhada pelo presidente Donald Trump, que aposta em uma economia forte para obter sua reeleição, em novembro.

Trump disse ter esperança de que, até 12 de abril, os americanos irão retornar à vida normal, meta que especialistas sanitários não consideram realista e que, afirmam, vai de encontro à quarentena decretada em vários países para minimizar as infecções pelo vírus SARS-CoV-2.

O cientista americano Anthony Fauci, líder da luta contra a pandemia, alertou que o vírus pode retornar, o que torna ainda mais urgente a corrida internacional por uma vacina.

Segundo Fauci, diretor de doenças infecciosas no Instituto Nacional de Saúde, a doença começa a se assentar no hemisfério sul, que entrou no outono. "Se, de fato, houver um surto substancial, será inevitável estarmos preparados para um segundo ciclo do vírus", alertou.

"Isto sublinha a necessidade de fazermos o que estamos fazendo para desenvolver uma vacina, testá-la rapidamente e tentarmos estar prontos para esse próximo ciclo", advertiu o cientista.