EUA estudam 'opções militares' a respeito da Coreia do Norte

Por Andrew BEATTY
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O presidente americano, Donald Trump, em Maryland, em 13 de abril de 2017

O governo americano estuda suas "opções militares" a respeito do programa nuclear da Coreia do Norte, segundo confirmou nesta sexta-feira um conselheiro de política exterior da Casa Branca, assinalando que não é uma questão de se haverá mais testes, mas quando haverá.

Os Estados Unidos estão avaliando como enfrentar esta ameaça, coincidindo com as crescentes especulações sobre a possibilidade de que Pyongyang realize um teste no sábado, afirmou a fonte.

"Já estão estudando as opções militares", afirmou sob anonimato. "Com este governo não é uma questões de se ocorrerá, mas sim quando".

Nas últimas horas apareceram informações sobre uma atividade nuclear na Coreia do Norte marcada visando o sábado, dia em que será comemorado o 105º aniversário do fundador do país, Kim Il-sung.

"Telegrafaram há pouco, não é nenhuma surpresa porque o aniversário é no sábado, tradicionalmente [o líder norte-coreano Kim Jong-un] organiza um grande desfile e leva suas armas e armas de imitação", apontou o conselheiro.

"Infelizmente não é uma surpresa para nós, [Kim] continua desenvolvendo seu programa, continua lançando mísseis para o Mar do Japão. Com o regime não é uma questão de se ocorrerá, mas sim quando".

O presidente Donald Trump já adiantou que seu governo se encarregará do "problema" que a Coreia do Norte supõe.

- Mais complicado -

Estas revelações são feitas logo após o Exército americano lançar na quinta-feira "a mãe de todas as bombas", seu artefato não nuclear mais potente, contra um complexo do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no Afeganistão.

Trump também mostrou seu poderio militar na semana passada bombardeando com mísseis uma base aérea do governo sírio, a quem acusou de ter executado o suposto ataque químico em uma cidade rebelde, que deixou quase 100 mortos.

Além disso, o mandatário ordenou o envio de um porta-aviões e de sua frota para a península coreana.

Trump sempre disse que impedirá que Pyongyang obtenha mísseis balísticos com capacidade nuclear, que poderiam alcançar o território americano.

Quando se reuniu com Barack Obama pouco depois de vencer as presidenciais, foi advertido de que possivelmente teria que tomar uma decisão complicada sobre este tema no início de seu mandato.

Com consequência, Trump pediu a seus conselheiros um leque de opções para enfrentar o programa nuclear norte-coreano.

Mas a Casa Branca sabe que atacar a Coreia do Norte é "muito mais complicado" do que atacar a Síria, segundo palavras de outra fonte oficial.

Qualquer bombardeio contra Pyongyang poderá desencadear represálias contra aliados de Washington ou forças americanas enviadas para a Coreia do Sul e o Japão.

Entretanto, a administração Trump tem boas opções diplomáticas e econômicas para gerir este tema.

Pyongyang já sofre com várias sanções impostas pelas Nações Unidas por seus programas nuclear e balístico.

- Desafios de segurança -

Em uma entrevista ao jornal The Wall Street Journal, Trump explicou que seu homólogo chinês Xi Jinping retirou de sua cabeça a ideia de que Pequim irá forçar a Coreia do Norte a mudar de rumo.

"Depois de ouvir durante 10 minutos, me dei conta de que não é tão fácil", reconheceu.

"Me dei conta de que [Pequim] tem muito poder" sobre a Coreia do Norte, "mas não da forma que alguém possa imaginar", assegurou.

Trump mandará no sábado seu vice-presidente, Mike Pence, à Ásia para visitar seus aliados.

Pence irá para Coreia do Sul, Japão, Indonésia e Austrália. Em todas as reuniões, Pyongyang dominará sua agenda.

Excetuando-se a Indonésia, os Estados Unidos têm um tratado que lhe obriga a defender estes países, uma obrigação já questionada pelo presidente.

Mike Pence tentará convencer seus aliados de que este compromisso é "invulnerável", de acordo com o conselheiro da Casa Branca.

"Estamos totalmente comprometidos com nossas alianças de segurança, especialmente diante dos desafios de nossa segurança mutável, como a ameaça nuclear que a Coreia do Norte supõe", explicou.