EUA examinarão missões dos capacetes azuis da ONU

Por Dave Clark
(Arquivos) Membros brasileiros da Missão brasileira no Haiti, em Les Cayes, Haiti, no dia 15 de outubro de 2016

Os Estados Unidos advertiram nesta quarta-feira que aproveitarão o exercício da presidência rotativa no Conselho de Segurança da ONU, em abril, para examinar a eficácia das missões do organismo para a manutenção da paz.

O Conselho votará nos próximos dias se irá estender ou cortar o destacamento enviado para a República Democrática do Congo, integrado por 19.000 homens.

A embaixadora americana, Nikki Haley, assumirá as rédeas do órgão depois de o presidente Donald Trump deixar claro em seu primeiro orçamento que os Estados Unidos diminuirão seu financiamento para as Nações Unidas.

"Cheguei à ONU com o objetivo de mostrar ao povo americano o valor de seu investimento nesta instituição", declarou diante do Conselho de Relações Exteriores.

Haley insistiu que o objetivo de Washington não é guardar dinheiro, mas fazer com que as missões sejam mais efetivas e tenham estratégias claras.

Mas destacou que seu governo diminuirá de 29% para 25% sua contribuição aos 7,9 bilhões de dólares destinados aos capacetes azuis.

"Os Estados Unidos são a consciência moral do mundo", afirmou. "Não abandonaremos este papel, insistiremos que nossa participação na ONU honrará e respeitará este papel".

Haley assinalou que já começou a trabalhar com o secretário-geral do organismo, Antonio Guterres, para identificar possíveis vias que permitam reestruturar este tipo de programa das Nações Unidas.

"Vamos terminar a missão de paz no Haiti, já não é mais necessária", avançou. Guterres propôs há alguns dias finalizá-la em outubro.

RD Congo é examinada de perto

O destacamento na República Democrática do Congo será o próximo a passar pelo crivo do Conselho.

Alguns países - incluindo França, um dos cinco membros permanentes do Conselho - alertaram sobre os efeitos negativos de um possível corte desta missão, já que o país vive um caos político e militar.

Mas a Rússia, outro membro permanente, apoia a ideia da redução.

"Na República Democrática do Congo, por exemplo, o governo é corrupto. Abusa dos cidadãos", assinalou Haley.

"Mas, ao mesmo tempo, a missão para a manutenção da paz da ONU é obrigada a colaborar com o governo para consolidar a paz e a segurança", explicou.

"Em outras palavras, a ONU ajuda um governo que impõe um comportante contra seu povo. Deveríamos ter a decência e o senso comum de acabar com isso".

A instabilidade e a insegurança da RD Congo ficaram latentes nesta semana com o assassinato de dois funcionários contratados da ONU, um americano e uma sueca-chilena, após desaparecem enquanto trabalhavam na realização de um relatório.

Guterres pediu, entretanto, que mandem mais policiais ao país, que terá eleições antes do fim do ano.