EUA executa ataque com drone contra o EI no Afeganistão; ameaça persiste no aeroporto

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Refugiados afegãos desembarcam no aeroporto Dulles de Washington, em 27 de agosto de 2021 (AFP/Olivier DOULIERY)

As tropas dos Estados Unidos executaram neste sábado (28) um ataque com drone contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI) no Afeganistão, ao mesmo tempo em que prossegue a reta final da retirada no aeroporto de Cabul, sob a ameaça de novos atentados.

O alvo do ataque com drone era um "planejador" do EI, afirmou em um comunicado o capitão Bill Urban, do Comando Central, responsável pelas operações no Afeganistão.

"O ataque aéreo não tripulado ocorreu na província afegã de Nangarhar. Os primeiros indícios apontam que matamos o alvo", explicou Urban, que disse não ter informações sobre nenhuma vítima civil.

O ataque, executado de fora do Afeganistão, foi o primeiro do exército americano após o atentado suicida de quinta-feira no aeroporto de Cabul.

Fontes vinculadas ao ministério da Saúde do governo afegão derrubado pelos talibãs informaram neste sábado que o balanço do ataque superou 100 mortes, incluindo 13 soldados americanos.

Alguns meios de comunicação citam mais de 170 vítimas fatais.

Após o ataque reivindicado pelo Estado Islâmico de Khorasan (EI-K), o braço do grupo extremista no Paquistão e Afeganistão, o presidente Joe Biden prometeu represálias.

"Vamos persegui-los e faremos com que paguem", afirmou em um discurso após o ataque mais violento contra o exército americano no Afeganistão desde 2011.

O risco de atentados persiste, segundo Washington. "Ainda acreditamos que há ameaças específicas", advertiu na sexta-feira John Kirby, porta-voz do Departamento de Defesa americano.

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, afirmou que outro ataque era "provável" e que os próximos dias serão "o período mais perigoso até agora".

- Controle do aeroporto -

Várias mensagens contraditórias dos talibãs e americanos aumentaram a tensão a poucos dias da data-limite de 31 de agosto, prevista para a conclusão da retirada das tropas estrangeiras do Afeganistão após 20 anos de guerra, o que também marcará o fim das operações de saída.

Os talibãs, por meio do porta-voz Bilal Karimi, afirmaram que controlam "três importantes áreas da parte militar do aeroporto" de Cabul.

Pouco depois, o porta-voz do Pentágono, John Kirby, negou que os talibãs estejam no comando de qualquer portão ou "de qualquer operação do aeroporto".

A incógnita persiste sobre como as últimas pessoas candidatas à retirada de Cabul conseguirão deixar o país.

"Temos listas dos americanos (...) Se o seu nome está na lista, pode passar pelos postos de controle até o aeroporto", afirmou uma fonte talibã à AFP perto do terminal de passageiros.

Os voos de repatriação das potências ocidentais foram retomados, mas segundo o comandante das Forças Armadas britânicas, general Nick Carter, restam poucos aviões.

A Grã-Bretanha planeja concluir as operações neste sábado. Em terra permanecerão 150 britânicos e entre 800 e 1.000 afegãos, explicou o general, que admitiu uma decisão "dolorosa".

O primeiro-ministro britânico Boris Johnson se comprometeu a fazer de tudo para ajudar na saída dos afegãos aptos a pedir asilo após 31 de agosto.

A Itália foi o país da União Europeia que mais retirou pessoas do Afeganistão, com 4.900, segundo o governo de Roma.

O aeroporto ainda tem 5.400 pessoas que aguardam para deixar o país, informou o general americano Hank Taylor, antes de destacar que as retiradas prosseguirão "até o último momento".

Quase 112.000 pessoas saíram do país pelo aeroporto desde 14 de agosto, um dia antes da entrada dos talibãs em Cabul, segundo os dados mais recentes divulgados pelo governo americano.

- "Direito inato" a trabalhar -

Após seu retorno ao poder, os talibãs tentam mostrar uma imagem de abertura e moderação. Muitos afegãos, no entanto, temem a repetição do regime fundamentalista e brutal imposto entre 1996 e 2001.

O temor é ainda melhor a respeito da situação das mulheres, que no regime anterior foram impedidas de trabalhar e estudar.

Em uma tentativa de aplacar os medos, um representante talibã afirmou que as mulheres têm o "direito inato" a trabalhar.

"Podem trabalhar, podem estudar, podem participar na política e podem fazer negócios", declarou Sher Mohammad Abbas Stanikzai, que foi o negociador dos islamitas nas frustradas negociações de paz de Doha.

os que conseguiram fugir têm uma visão diferente.

"Meu marido trabalhava para a embaixada americana. Eles (os talibãs) teriam nos matado se se tivéssemos ficado", declarou, em inglês, uma afegã à AFP em uma instalação americana nos Emirados Árabes Unidos, poucas horas antes de embarcar em um avião para os Estados Unidos.

"Fugimos com a roupa do corpo, mais nada", contou.

Questionada se retornaria a seu país, ela responde: "Nunca, exceto se o Talibã partir".

A ONU fez neste sábado um apelo urgente aos doadores para que ajudem os agricultores afegãos a lutar contra a seca, que ameaça reduzir os meios de subsistência de sete milhões de pessoas.

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