EUA exige que OEA responda sobre fechamento forçado de sua sede na Nicarágua

Membros das forças de segurança da Nicarágua em frente a sede da OEA em Manágua em 25 de abril de 2022 (AFP/OSWALDO RIVAS) (OSWALDO RIVAS)

Os Estados Unidos pediram nesta quarta-feira (27) que a Organização dos Estados Americanos (OEA) tome medidas "concretas" para responder o fechamento forçado do escritório do bloco regional na Nicarágua por parte do governo de Daniel Ortega.

"Não podemos simplesmente encolher os ombros e dar as costas" disse o reapresentante americano na OEA, Bradley Freden, durante uma sessão do Conselho Permanente da organização.

"Devemos condenar a ação nos termos mais enérgicos e considerar também outras respostas mais concretas", afirmou.

O governo Ortega ratificou no domingo sua decisão de deixar a OEA, expressa em 19 de novembro, mas que, segundo os estatutos, levará dois anos. Também retirou as credenciais de seus delegados junto à OEA e anunciou o fechamento da sede da organização em Manágua.

"É essencial que tratemos este ato como a abominação institucional e ilegal que é", enfatizou Freden.

"Embora o regime da Nicarágua tenha dito que vai deixar a OEA, ainda está sujeira a estas obrigações. E se quisermos que essa normas signifiquem algo, não devemos ter medo de aplicá-las em casos escandalosos como este", enfatizou.

O Conselho Permanente da OEA abordou o tema a pedido do Secretário-Geral, Luis Almagro, que no domingo disse que as autoridades nicaraguenses "ocuparam ilegitimamente" os escritórios da organização em Manágua, em "violação das mais elementares normas internacionais".

"Nunca havia acontecido antes. Os piores ditadores americanos, incluindo os Somoza, jamais tomaram medidas como essas", declarou Almagro nesta quarta-feira diante do órgão executivo da OEA, classificando o ocorrido como um "afronte para a América Latina".

Almagro repudiou também a expropriação do edifício que, segundo ele, não era propriedade da OEA, mas alugado. A decisão foi comunicada na terça-feira pelo governo Ortega, que disse que ali funcionará "o museu da infâmia".

Dezesseis dos 34 membros ativos da OEA, incluindo os Estados Unidos, expressaram sua "consternação" e "preocupação" com o ocorrido, exigindo respeito aos princípios do direito internacional.

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