EUA exigem que fabricantes de chips forneçam dados confidenciais sobre pedidos

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O Departamento de Comércio dos Estados Unidos decidiu analisar o comportamento das fabricantes de semicondutores com o intuito de entender os motivos para a crise no fornecimento dos componentes e, para isso, “exigiu” que a Samsung, a TSMC e outras fabricantes das peças forneçam dados confidenciais sobre suas operações.

Não é nenhuma novidade que o mercado global enfrenta, há meses, dificuldades para atender a demanda de chips, o que prejudicou não só a falta de hardware para a produção de smartphones e dispositivos eletrônicos, mas também afetou o mercado de automóveis.

Ao lado da TSMC, Samsung é uma das principais fornecedoras de semicondutores (Imagem: g0d4ather/Creative Commons)
Ao lado da TSMC, Samsung é uma das principais fornecedoras de semicondutores (Imagem: g0d4ather/Creative Commons)

Agora, embora um dos fatores que levaram a este período de escassez seja a pandemia do novo coronavírus, que impulsionou a demanda em diversos setores, o governo dos Estados Unidos também quer entender se há alguma outra razão para isso e por qual motivo ainda não houve uma recuperação do mercado. O país analisa, especialmente, o impacto da falta dos hardwares no mercado de automóveis, já que muitas montadoras foram forçadas a cortar a produção de veículos em meio à crise.

Para isso, o Departamento de Comércio do país quer que as fabricantes entreguem documentos e dados sobre suas operações, como quais são seus clientes, pedidos, entregas, entre outros. Esses dados, embora confidenciais, poderão ser úteis para ajudar a compreender melhor a crise e o motivo de a oferta não acompanhar a demanda.

(Imagem: Cristian Ibarra, Pixabay)
(Imagem: Cristian Ibarra, Pixabay)

É importante destacar que, apesar da exigência dos Estados Unidos, a entrega dessas informações por parte das empresas pode atrapalhar os negócios de cada uma, visto que os dados poderão expor detalhes sobre as estratégias e processos de produção de cada companhia.

No entanto, a Secretária do Comércio dos Estados Unidos, Gina Raimondo, destacou que essa é uma solicitação para que as companhias do setor cooperem voluntariamente no fornecimento dos dados e, caso contrário, será preciso seguir outras maneiras para que esse objetivo seja atingido, o que, em outras palavras, seria utilizar de meios legais para a obtenção das informações.

Governo de Taiwan promete cooperar, mas diz que também irá defender as companhias

TSMC é a maior fornecedora de chips do mundo (Imagem: Divulgação/TSMC)
TSMC é a maior fornecedora de chips do mundo (Imagem: Divulgação/TSMC)

Em resposta ao pedido dos Estados Unidos, o governo de Taiwan — lar da maior fabricante de chips do mundo, a TSMC — prometeu cooperar nas investigações e ajudar o governo norte-americano na obtenção dos dados.

A ministra Wang Mei-hua destacou que “os governos taiwanês e americano estabeleceram múltiplos canais de comunicação e têm um bom fluxo de informações. Taiwan respeita e entende as leis e regulamentos comerciais dos EUA”, e que irá colaborar com o pedido.

Por outro lado, a política frisou que o país não deixará de lado as companhias e destacou que irá auxiliar as empresas caso entenda que há “demandas irracionais” por parte dos Estados Unidos: “Se nossas empresas enfrentarem demandas irracionais na concorrência internacional, o governo certamente fornecerá assistência necessária e expressará preocupação para evitar que as empresas taiwanesas lutem sozinhas no cenário internacional.”

Por fim, a TSMC, que também participou de uma reunião com a Casa Branca sobre o assunto, destacou que já tomou “medidas sem precedentes para enfrentar esse desafio”. A marca prometeu um investimento de US$ 100 bilhões ao longo dos próximos três anos para aumentar a capacidade para produção de chips.

Fonte: Canaltech

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