EUA fará o possível para repatriar americanos detidos na Venezuela

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, em coletiva de imprensa do Departamento de Estado em Washington

Os Estados Unidos usarão todas as opções disponíveis para repatriar os dois americanos detidos na Venezuela acusados de planejar uma incursão marítima para derrubar o presidente Nicolás Maduro - declarou o secretário de Estado, Mike Pompeo, nesta quarta-feira (6).

"Se o regime de Maduro decidir mantê-los detidos, usaremos todas as ferramentas que temos disponíveis para tentar trazê-los de volta", disse Pompeo a repórteres.

O secretário de Estado reiterou a negativa do presidente Donald Trump de que o governo dos Estados Unidos tenha participado da suposta conspiração denunciada por Maduro.

"Se estivéssemos envolvidos, teria sido diferente", afirmou.

Maduro, cuja reeleição em 2018 Washington não reconhece por considerar o resultado uma fraude, destacou que quinze pessoas foram detidas entre domingo e segunda-feira em dois pontos da costa venezuelana no contexto de uma operação que buscava tirá-lo do poder.

Em um discurso televisionado na segunda-feira, Maduro indicou que entre eles havia "membros da segurança" de Trump e, exibindo dois passaportes americanos, os identificou como Luke Denman, de 34 anos, e Airan Berry, de 41.

O Ministério Público da Venezuela havia acusado anteriormente o líder opositor e chefe parlamentar Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino pelos Estados Unidos e cerca de 60 países, de contratar "mercenários" com fundos da Venezuela bloqueados por sanções de Washington, a fim de empreender a tentativa de "invasão".

O procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab, publicou um vídeo nas redes sociais no qual Jordan Goundreau, um ex-militar das forças americanas fundador da empresa de segurança com sede na Flórida "Silvercorp USA", falava sobre uma operação em andamento contra Maduro.

Saab também mostrou um contrato que dizia que a Silvercorp USA tinha um acordo de 212 milhões de dólares com Guaidó usando fundos "roubados" da estatal PDVSA, cuja filial americana, Citgo, estava sob o controle do líder opositor.

Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou na terça-feira que este "melodrama" poderia fazer parte de uma "grande campanha de desinformação" administrada por Caracas com apoio de Cuba, aliada estreita de Maduro, para distrair a atenção da situação na Venezuela, afundada em uma grande crise política, econômica e social, que se intensificou desde que Maduro assumiu em 2013.

"Não posso compatilhar mais informações sobre o que sabemos", disse Pompeo nesta quarta-feira.

O governo de Trump lidera desde janeiro de 2019 a pressão internacional contra o governo de Maduro, a quem considera um ditador e atribui corrupção generalizada e graves abusos de direitos humanos.

No entanto, apesar de uma bateria de sanções de Washington, Maduro se mantém no cargo com o apoio das forças armadas e de Cuba, assim como da China e Rússia, seus principais credores.