EUA fecha dois centros de detenção de migrantes após alegações de abuso

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Secretário do Departamento de Segurança Interna dos EUA, Alejandro Mayorkas

O governo dos EUA anunciou nesta quinta-feira (20) que vai parar de usar dois centros de detenção de migrantes sob investigação após alegações de abuso, incluindo denuncias de supostas esterilizações de mulheres que levaram a uma nota diplomática do México.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) disse que o Serviço de Imigração e Controle Alfandegário (ICE) dispensará as instalações estaduais em Massachusetts (nordeste) e outras operadas privadamente na Geórgia (sudeste).

"Não toleraremos maus-tratos a detidos ou condições precárias de detenção", disse o secretário do DHS, Alejandro Mayorkas, em um memorando ao diretor em exercício do ICE, Tae Johnson.

Esta decisão é um "primeiro passo importante" na meta de alcançar "melhorias duradouras em nosso sistema de retenção de imigrantes", acrescentou.

No Centro de Detenção do Condado de Irwin em Ocilla, Georgia, um médico foi acusado em setembro de 2020 de realizar cirurgias não consensuais em detidos.

Uma enfermeira foi quem deu o alarme, relatando o alto “índice de remoções de úteros” e episódios como o de uma migrante em que o médico retirou o ovário errado quando ia intervir por causa de um cisto.

De acordo com a organização Project South, com sede em Atlanta, pelo menos 17 mulheres, incluindo várias imigrantes mexicanas, foram submetidas a procedimentos de esterilização sem seu consentimento ou sem ter as informações necessárias.

O DHS e a polícia federal do FBI abriram uma investigação, e o governo mexicano pediu uma explicação depois de identificar pelo menos dois de seus cidadãos que foram vítimas dessas práticas.

A outra instalação, o Centro de Detenção de Imigração C. Carlos Carreiro em North Dartmouth, Massachusetts, foi alvo de uma intervenção considerada violenta pela polícia local contra presidiários que se recusaram a fazer o teste para o coronavírus em maio de 2020.

A ação do governo Joe Biden foi elogiada pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), líder na defesa dos direitos humanos.

"Os anúncios de hoje mostram a disposição do governo Biden de romper decisivamente com os abusos dos direitos dos imigrantes de governos anteriores", disse a advogada da ACLU, Naureen Shah, em um comunicado.

A ACLU disse que o centro de detenção em Irwin County, Geórgia, era "conhecido por suas condições desumanas e assustadoras, incluindo negligência médica generalizada e relatos horríveis de esterilizações forçadas".

Ela observou que os imigrantes nas instalações de Massachusetts foram negados "alimentação adequada e cuidados médicos" e criticou o "programa anti-imigração" do xerife do condado de Bristol, de cujo escritório o centro depende.

Em uma carta a Mayorkas em abril, a ACLU pediu o fechamento de 39 centros de detenção do ICE "como um ponto de partida para acabar com a criminalização em massa e o encarceramento predeterminado de imigrantes indocumentados".

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