EUA impõem tarifas adicionais sobre vinhos franceses e alemães e peças de aeronaves em meio a disputas na UE

O Globo com agências internacionais
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WASHINGTON e BRUXELAS — Na véspera do fim de 2020, o governo dos Estados Unidos surpreendeu ao anunciar a decisão de impor tarifas adicionais a produtos europeus, em retaliação às medidas que a União Europeia havia adotado no âmbito da disputa entre a Airbus e a Boeing por subsídios estatais.

Com a nova medida, Washington acrescentou à lista de produtos europeus com tarifas especiais peças de reposição para aeronaves e vinhos não espumantes e conhaques da França e Alemanha.

Em um comunicado, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) disse que acrescentará tarifas sobre componentes de aeronaves e certos vinhos não espumantes, bem como conhaques e brandies da França e Alemanha. No entanto, o USTR não informou quando as tarifas entrarão em vigor, mas lembrou que mais detalhes serão divulgados "em breve".

A Comissão Europeia lamentou a decisão do governo Trump, afirmando tratar-se de uma "ação unilateral" que obstaculiza negociações para resolver a disputa sobre subsídios a empresas aéreas, segundo afirmou uma porta-voz da instituição em Bruxelas nesta quinta-feira.

Em uma nota, a porta-voz acrescentou que a UE "se comprometerá com o novo governo americano o mais rápido possível para continuar essas negociações e encontrar uma solução duradoura para esta disputa".

Em setembro, a Organização Mundial do Comércio (OMC) havia autorizado a UE a adotar tarifas sobre os produtos americanos em decorrência da interminável disputa gerada pelos dois gigantes aeronáuticos. O contencioso se arrasta há 16 anos.

Washington considerou, porém, que o método de cálculo usado pela UE para definir suas medidas penalizava excessivamente os produtos americanos e, por isso, decidiu impor as novas tarifas:

"A UE precisa tomar algumas medidas para corrigir esta injustiça", afirmou o governo americano.

Desde 2019, os Estados Unidos impuseram tarifas punitivas de até 25% sobre as importações de produtos europeus, como vinho, queijo e azeite, ou o uísque escocês, bem como impostos de 15% sobre as aeronaves Airbus.

A decisão dos EUA vem no momento em que negociadores dos EUA e da Europa continuam conversando para encerrar sua longa disputa sobre a ajuda estatal à fabricante de aeronaves Airbus, que tem o apoio político do Reino Unido, França, Alemanha e Espanha, e os de Washington para seu rival Boeing.

A reação da UE nesta quinta-feira traz uma abordagem nova, ao ignorar o governo do presidente em fim de mandato, Donald Trump, e se concentrar nas negociações com a futura administração, do presidente eleito Joe Biden, com quem pretende se reunir o mais rápido possível para encontrar uma solução.