EUA inclui Cuba em lista de países que não colaboram na luta contra o terrorismo

AFP
Homem de máscara passa perto do mural que representa o líder revolucionário Ernesto "Che" Guevara, Havana, 17 de abril de 2020
Homem de máscara passa perto do mural que representa o líder revolucionário Ernesto "Che" Guevara, Havana, 17 de abril de 2020

Os Estados Unidos incluíram Cuba em sua lista de países que não cooperam plenamente na luta contra o terrorismo, uma certificação que proíbe a venda ou licença para exportar artigos e serviços de defesa, informou nesta quarta-feira o Departamento de Estado americano em comunicado.

"Ontem [terça-feira] o Departamento de Estado notificou o Congresso de que o Irã, a Coreia do Norte, a Síria, a Venezuela e Cuba foram certificados sob a Seção 40A (a) da Lei de Controle de Exportação de Armas como 'não cooperando totalmente' com os esforços antiterroristas dos Estados Unidos em 2019", informa o texto.

O Departamento observa que "este é o primeiro ano em que Cuba é certificada como não cooperando plenamente desde 2015".

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Cuba se soma, assim, a outros quatro adversários dos EUA - Irã, Síria, Coreia do Norte e Venezuela - que não obtiveram certificação em 2019.

O texto cita a presença em Cuba de negociadores dos rebeldes colombianos do ELN, que viajaram para Havana em 2017 para manter negociações de paz com o governo de Bogotá, mas ainda não retornaram.

"A recusa de Cuba em se envolver produtivamente com o governo colombiano mostra que não está cooperando com o trabalho dos Estados Unidos para apoiar os esforços da Colômbia de garantir paz, segurança e oportunidades justas e duradouras para seu povo", afirmou o Departamento de Estado.

O presidente conservador colombiano Iván Duque, aliado dos Estados Unidos, interrompeu as negociações com o ELN após um ataque com carro-bomba em janeiro de 2019 em uma academia de polícia de Bogotá que matou 21 recrutas e feriu mais de 60 policiais.

Os rebeldes têm exigido, sem sucesso, que a Colômbia conceda um salvo-conduto para que seus negociadores retornem de Cuba.

A medida do Departamento de Estado terá pouco efeito prático sobre Cuba, que não importa armas dos Estados Unidos há seis décadas.

Essa certificação se soma, contudo, à crescente pressão do governo Donald Trump sobre Cuba, distanciando Washington dos esforços de reconciliação com Havana promovidos por seu antecessor, Barack Obama.

O Departamento de Estado também acusou o governo comunista de Cuba de abrigar vários fugitivos americanos da justiça procurados por acusações de violência política.

Entre eles, foi mencionada a ativista Joanne Chesimard, condenada por executar um polícia estadual de Nova Jersey, Werner Foerster, em 1973.

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