EUA indicia líbio pelo atentado de Lockerbie 32 anos depois

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Policiais perto dos destroços do avião da PanAm, alvo de um atentado em 22 de dezembro de 1988 em Lockerbie (Escócia)

A justiça americana anunciou nesta segunda-feira (21) o indiciamento de um terceiro líbio suspeito de participar do atentado de Lockerbie, em dezembro de 1988, na Escócia, no 32° aniversário da tragédia.

Abou Agila Mohammad Massoud, ex-membro dos serviços de Inteligência do líder líbio Muammar Kadhafi, é acusado de ter fabricado a bomba que explodiu em um Boeing 747, da companhia aérea americana Pan Am, quando sobrevoava a pequena cidade escocesa em 21 de dezembro de 1988.

O atentado matou os 259 passageiros e tripulantes do avião, inclusive os 190 cidadãos americanos a bordo. Onze moradores de Lockerbie também morreram, atingidos por destroços da aeronave.

Este foi o atentado mais letal cometido no Reino Unido e o segundo mais sangrento contra americanos após os ataques de 11 de setembro de 2001.

"Por fim, este homem responsável pelo assassinato de americanos e de muitos mais vai responder por seus crimes na justiça", declarou o procurador-geral de Justiça americano, Bill Barr.

O chefe do Departamento de Justiça mostrou-se "otimista" sobre uma extradição aos Estados Unidos do acusado, detido atualmente por autoridades líbias.

"Não temos motivos para pensar que este governo tem interesse em se associar com este terrorista de ódio", disse.

"É inegável que o atentado contra o voo Pan Am 103 era dirigido contra os Estados Unidos e este ataque terrível está impresso como infância na memória coletiva" disse Barr, assegurando que o indiciamento de Massoud tinha um "significado particular" para ele.

Em 1991, Barr era o procurador-geral de George Bush pai quando anunciou, juntamente com a justiça escocesa, o indiciamento de dois agentes da Inteligência líbia, Abdelbaset Ali Mohamed al Megrahi e Amine Khalifa Fhimah, por sua participação no atentado.

- Responsabilidade do regime de Kadhafi -

Os dois acusados líbios foram julgados no ano 2000 por um tribunal especial escocês, criado em território neutro, na Holanda. Um ano depois, Fhimah foi absolvido e Megrahi, condenado à prisão perpétua por homicídio, antes de sua pena ser rebaixada para um mínimo de 27 anos de prisão.

Megrahi foi libertado em 2009 por motivos médicos e morreu três anos depois em seu país. Cinco juízes examinam atualmente um recurso apresentado por sua família para demonstrar, postumamente, sua inocência.

O regime de Kadhafi reconheceu oficialmente sua responsabilidade no atentado de 2003 e pagou 2,7 bilhões de dólares em indenizações às famílias das vítimas.

Após a queda de Kadhafi, em 2011, investigadores americanos e escoceses viajaram para a Líbia para explorar novas pistas e buscar novos suspeitos.

A imprensa britânica deu, então, os nomes de Massoud e Abdallah Senoussi, ex-chefe dos serviços de Inteligência e cunhado do então líder líbio.

As investigações foram retomadas em 2016 quando a justiça americana soube que Massoud havia sido detido após a queda de Kadhafi e tinha feito supostamente uma confissão aos serviços de Inteligência do novo regime líbio em 2012.

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