EUA investigam Serviço Secreto por apagar mensagens sobre invasão do Capitólio

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) dos Estados Unidos abriu investigação nesta quinta-feira (21) para apurar o sumiço de mensagens de texto sobre a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro do ano passado, dos servidores do Serviço Secreto americano. As informações são do jornal americano Washington Post.

A medida é um desdobramento de carta enviada na semana passada pelo inspetor-geral do departamento do governo dos EUA, Joseph Cuffari, à comissão da Câmara que investiga o ataque. Ele relatou que o conteúdo foi apagado durante a substituição de dispositivos eletrônicos, depois depois de ser solicitado por autoridades.

O documento não informou se as mensagens foram deletadas intencionalmente, tampouco qual era o teor dos textos, os remetentes ou destinatários.

A falta de informações provocou reação. O deputado democrata Bennie Thompson, presidente da comissão na Câmara que apura responsabilidades sobre a invasão do Capitólio, afirmou na semana passada que a destruição das mensagens é "preocupante" e pediu a investigação do caso. "Se houver uma maneira de reconstruir os textos, nós o faremos".

Diante da repercussão, o Departamento de Segurança Interna ordenou ao Serviço Secreto que interrompesse a investigação sobre o sumiço das mensagens, alegando risco de interferência no trabalho que também é conduzido pelo DHS.

"Realizaremos uma revisão legal e completa para garantir que cooperamos totalmente com todos os esforços de supervisão e que eles não entrem em conflito entre si", escreveu Anthony Guglielmi, porta-voz do Serviço Secreto, em comunicado divulgado nesta quinta.

Thompson havia estabelecido o prazo para o Serviço Secreto entregar as mensagens que não foram encontradas até terça (19), o que não aconteceu. Diante da falta de respostas, autoridades da agência foram convocadas para depor na comissão da Câmara que investiga a invasão.

Parlamentares afirmam que o material pode ajudar a esclarecer o papel de figuras públicas e manifestantes no episódio considerado um dos maiores ataques da história à democracia americana.

Manifestantes invadiram o Capitólio em 6 de janeiro do ano passado minutos após o ex-presidente Donald Trump, durante ato em Washington, insuflar ativistas a se dirigirem até a sede do Legislativo. A ação obrigou Câmara e Senado a trancarem as portas e a paralisarem a sessão que confirmou a vitória de Joe Biden nas eleições realizadas em 2020.

Integrantes do Serviço Secreto, a agência de segurança responsável pela proteção do presidente, estiveram com Trump e com seu vice, Mike Pence, na data. No mês passado, um ex-funcionário da Casa Branca contou, no âmbito da investigação do 6 de Janeiro, que o republicano tentou forçar funcionários da agência a levá-lo para o Capitólio para se juntar a seus apoiadores.

Na oitava audiência pública realizada pelo comitê da Câmara, que acontece nesta quinta, Thompson afirmou que o ex-presidente Trump "imprudentemente abriu caminho da anarquia e corrupção" durante a invasão do Capitólio. "[Trump] tentou destruir nossas instituições democráticas", reafirmou o democrata. Ele disse ainda que os responsáveis pelo ataque devem "responder perante a lei".

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