EUA, Irlanda e Noruega pressionam ONU para estender ajuda transfronteiriça na Síria

·2 minuto de leitura
Trabalhadores humanitários e ativistas formam uma mensagem pleiteiando a manutenção do posto de passagem transfronteiriça de Bab al-Hawa, na fronteira entre a Síria e a Turquia, em 2 de julho de 2021

Os Estados Unidos, a Irlanda e a Noruega defenderam nesta terça-feira (6) na ONU a prorrogação por um ano, em votação prevista para quinta-feira no Conselho de Segurança, do mecanismo transfronteiriço que fornece ajuda internacional à Síria sem o apoio do governo de Damasco.

A Rússia, por sua vez, manteve sua posição a favor do fim do mecanismo.

"Não podemos aceitar menos do que temos hoje", isto é, "um cruzamento da fronteira por 12 meses que está proporcionando ajuda a milhões de sírios", disse a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, após uma reunião a portas fechadas do conselho sobre a situação humanitária na Síria.

Em vigor desde 2014, a autorização transfronteiriça da ONU expira no sábado. Alguns diplomatas ocidentais continuavam a acreditar que ela poderia ser prorrogada nesta terça, mesmo que por apenas seis meses.

Após a eliminação de vários pontos de cruzamento impostos no ano passado pela Rússia, a ajuda transfronteiriça passa agora apenas por Bab al-Hawa, na fronteira com a Turquia. São atendidas mais de três milhões de pessoas na região de Idlib, último reduto rebelde que permanece fora do controle de Damasco.

A Rússia, que tem direito de veto e apoia a Síria, quer que a soberania total do regime sírio sobre todo o seu território seja restaurada e já expressou várias vezes sua oposição a uma nova extensão da autorização para a ajuda.

Durante a reunião, Moscou "permaneceu na mesma posição, que está clara há muito tempo", afirmou à AFP um diplomata russo que pediu anonimato.

"Esperamos ver uma renovação até o fim desta semana", disse a embaixadora irlandesa na ONU, Geraldine Byrne Nason, antes da sessão, citando o risco de "uma catástrofe humanitária". "Há muito em jogo", declarou sua colega norueguesa Mona Juul, acrescentando que "é realmente uma questão de vida ou morte para milhões de pessoas".

Essas duas embaixadores, encarregadas do expediente, propuseram um projeto de resolução que prevê a prorrogação por um ano do posto de Bab al Hawa e a reabertura, também por um ano, do acesso via Iraque a Al Yarubiyah, que abasteceria, como no passado, ao nordeste da Síria.

Se a Rússia e a China vetarem uma extensão do mecanismo transfronteiriço, "as repercussões são óbvias, as pessoas morrerão de fome", afirmou Linda Thomas-Greenfield.

A Rússia também reconhece o agravamento da situação humanitária na Síria, mas culpa as sanções ocidentais. Moscou acredita que canalizar a ajuda de Damasco pelas linhas de frente poderia substituir o suporte transfronteiriço.

"Continuaremos trabalhando para apoiar a entrega de ajuda por meio das linhas de frente e aumentar a capacidade transfronteiriça", disse Thomas-Greenfield.

prh/seb/llu/lda/ic

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos