EUA lança operação contra redes transnacionais de tráfico de migrantes

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Imigrantes chegam ilegalmente do México aos Estados Unidos em um bote inflável, guiados por um traficante de pessoas, ou 'coiote', na cidade fronteiriça de Roma, em 28 de março de 2021

O governo de Joe Biden anunciou nesta terça-feira (27) o lançamento de uma operação contra redes transnacionais de tráfico de migrantes, enquanto os Estados Unidos enfrentam uma chegada recorde de migrantes sem documentos em sua fronteira com o México.

A "Operação Sentinela", da qual participaram FBI e DEA, entre outras agências governamentais, visa a impedir que os traficantes se beneficiem dos lucros obtidos com o tráfico de seres humanos, segundo as autoridades.

"As medidas que vamos tomar nos próximos meses vão melhorar a segurança da fronteira dos Estados Unidos e ajudar a salvar as vidas de migrantes vulneráveis", disse o secretário do Departamento de Segurança Interna (DHS), Alejandro Mayorkas.

Para isto, explicou, o DHS e seus sócios nacionais e internacionais vão usar todas as ferramentas disponíveis para identificar quem participa ou facilita o contrabando de pessoas e tomarão medidas contra eles, incluindo sanções.

Mayorkas disse que estão previstos a revogação de vistos e outros documentos de viagem, a suspensão e a desabilitação de entidades comerciais e o congelamento de contas bancárias e outros ativos que os membros destas organizações tiverem nos Estados Unidos.

"O objetivo é interromper todas as facetas das redes logísticas destas organizações criminosas", enfatizou.

Participam da "Operação Sentinela" agências do DHS, como o Escritório de Alfândegas e Proteção Fronteiriça (CBP) e o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE), assim como a polícia federal americana (FBI) e a Agência para o Controle de Drogas (DEA).

O titular interino do CBP, Troy Miller, acusou os traficantes de migrantes de agressões sexuais, tráfico de pessoas e abandono de crianças pequenas e mulheres sem água ou comida em locais remotos e de clima extremo.

Ele disse que só no ano passado, 250 menores morreram durante a viagem aos Estados Unidos, e que em 2019 os agentes que patrulham a fronteira sudoeste encontraram pelo menos 300 restos mortais não identificados, o maior número desde 2016.

"Sabemos quem são e vamos atrás de vocês. Tiraremos tudo o que pudermos. Isto é só o começo", prometeu.

Em contraposição à dura política antimigratória de seu antecessor, Donald Trump, Biden aposta em gerenciar a migração de forma "eficaz, segura e humana", com um plano integral em cooperação com o México e os países centro-americanos, origem da maioria dos migrantes sem documentos.

Mais de 172.000 migrantes em situação irregular, inclusive quase 19.000 menores desacompanhados, foram detidos em março na fronteira sul dos Estados Unidos, um aumento de 71% em um mês e o nível mais alto em 15 anos.

Na segunda-feira, após uma reunião virtual entre a vice-presidente americana, Kamala Harris, e o presidente da Guatemala, Alejandro Giammattei, o chanceler guatemalteco, Pedro Brolo, disse que seu país receberá assessoramento sobre a segurança na fronteira de funcionários do DHS.

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