EUA lançam dezenas de mísseis na Síria em resposta a ataque químico

AP

As Forças Armadas dos EUA lançaram dezenas de mísseis Tomahawk contra uma base aérea na Síria. A CNN afirma que foram 50 mísseis lançados, enquanto a AFP afirma terem sido 70.

Os mísseis foram disparados de navios dos EUA que estão no Mediterrâneo Oriental, informa a agência Reuters. Esse ataque é a primeira ação direta dos norte-americanos contra Bashar Al-Assad.

A ofensiva muda completamente a postura da ação norte-americana na região. Até então, os Estados Unidos vinham agindo com ataques focados apenas em locais onde havia forças de colisão dos Estado Islâmico.

O ataque é uma resposta ao ataque química ocorrido na Síria nesta semana. Mais de 80 pessoas ficaram mortas no ato, que foi executado com gás sarin. O regime de Al-Assad nega o uso de armas químicas.

“Esta noite eu dei ordem para um ataque militar na base militar na Síria de onde o ataque químico foi lançado. Esta noite eu chamo todas as nações civilizadas para buscar um fim à matança e ao banho de sangue na Síria”, afirmou Trump, segundo a Reuters, após jantar com presidente chin6es Xi Jinping na Flórida.

Trump se encontrou com com seu time de segurança nacional momentos antes do jantar com o presidente chinês. Foi nesse momento que ele tomou aquela que é, até o momento, a decisão mais marcante de sua administração, iniciada em janeiro.


“Não há dúvidas de que a Síria usou armas químicas que já foram banidas, violando as suas obrigações da Convenção de Armas Químicas e ignorando o Conselho de Segurança da ONU. Anos de tentativas anteriores de mudar o comportamento de Assado falharam e falharam dramaticamente”, afirmou Trump de acordo com a CNN.

Esta “flagrante agressão” deixou seis mortos, feridos e importantes danos materiais, anunciou o exército sírio, sem revelar se as vítimas eram militares ou civis.

De acordo com o diretor da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, o aeroporto “foi quase totalmente destruído: os aviões, a pista, o depósito de combustível e o edifício da defesa aérea foram pulverizados”.

Em um discurso solene exibido na televisão a partir de sua residência na Flórida, Donald Trump explicou que os ataques estavam “associados ao programa” de armas químicas de Damasco e “diretamente relacionados” aos “horríveis” acontecimentos de terça-feira.

Um bombardeio atribuído ao exército sírio na terça-feira contra a cidade de Khan Sheikhun (noroeste) deixou pelo menos 86 mortos, incluindo 27 crianças, e provocou indignação internacional. As imagens das vítimas agonizantes comoveram o mundo.

O serviço secreto americano estabeleceu que os aviões que executaram o ataque decolaram da base de Al-Shayrat, conhecida como um local de armazenamento de armas químicas antes de 2013, segundo o Pentágono.

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– ‘Ataque horrível’ –

Com o semblante sério, o presidente Trump afirmou que os Estados Unidos são “sinônimo de justiça” e pediu às “nações civilizadas” que interrompam o banho de sangue na Síria. O país está devastado por uma guerra que deixou 320.000 mortos desde março de 2011, além de ter provocado a fuga de milhões de pessoas e a crise humanitária mais grave desde a Segunda Guerra Mundial.

Fontes do governo americano não informaram se novos ataques estão previstos, mas indicaram que a resposta de Washington é “proporcional”.

Em dificuldade há vários meses ante o regime, a coalizão da oposição política síria saudou a operação americana.

“Esperamos que os bombardeios continuem”, disse o porta-voz do grupo, Ahmad Ramadan.

O influente grupo rebelde Jaish al-Islam, que integra o Alto Comitê de Negociações (HCN) da oposição síria, afirmou que os bombardeios americanos contra apenas um aeroporto militar do regime “não é suficiente”.

“Atacar apenas um aeroporto não é suficiente. Existem 26 aeroportos (utilizados pelo regime) para bombardear civis. O mundo inteiro deve ajudar a salvar o povo sírio das garras do assassino Bashar (al-Assad) e seus comparsas”, afirmou Mohamed Allouche, dirigente do Jaish al-Islam.

A imprensa estatal e o exército da Síria chamaram o ataque de “agressão”.

“Esta agressão americana destaca a continuidade da estratégia equivocada dos Estados Unidos”, afirma um comunicado militar.

“O alto comando do exército e das Forças Armadas afirmam que sua resposta será uma determinação maior para cumprir seu dever nacional na defesa do povo sírio e derrotar o terrorismo onde estiver”, completa a nota militar.

A Rússia, principal aliado de Damasco, denunciou uma “agressão contra um Estado soberano”.

“Esta ação de Washington provoca um prejuízo considerável às relações entre Estados Unidos e Rússia, que já se encontram em um estado lamentável”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

O Pentágono informou que Washington avisou Moscou com antecedência sobre o ataque.

A Rússia anunciou a suspensão do acordo assinado com Washington para impedir incidentes entre aviões dos dois países na Síria.

“A parte russa suspende o memorando com os Estados Unidos sobre a prevenção dos incidentes e a segurança dos voos durante as operações na Síria realizadas pelas aviações russa e americana”, afirmou a porta-voz do ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, em um comunicado.

– ‘Ação unilateral’ –

Antes do ataque, o embaixador russo na ONU, Vladimir Safronkov, advertiu para as “consequências negativas” em caso de intervenção militar.


Com informações da AFP