EUA lembram que respeitar democracia é condição para participar da Cúpula das Américas

(Arquivo) O presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, anunciou nesta semana que não participará da IX Reunião de Cúpula 'a menos que todos sejam convidados' (AFP/Marvin RECINOS) (Marvin RECINOS)

Os Estados Unidos, que irão sediar em junho a IX Reunião de Cúpula das Américas, lembraram nesta quinta-feira que o respeito à democracia é uma condição para participar do evento, quando os presidentes do México e da Bolívia condicionaram sua presença a que não haja exclusões.

O chefe da diplomacia americana para as Américas, Brian Nichols, disse em um evento realizado em Washington que, desde a primeira reunião de cúpula hemisférica, realizada em 1994 em Miami, o fortalecimento da democracia tem sido um tema central, reafirmado quando foi aprovada a criação da Carta Democrática Interamericana, em 2001.

Na III Reunião de Cúpula, em Quebec, "os líderes da região defenderam o estrito respeito à democracia como condição essencial para a participação em todas as cúpulas futuras", disse Nichols. "Desde então, qualquer inconstitucionalidade ou alteração ou interrupção da ordem democrática representou um obstáculo à participação na cúpula", destacou, ao discursar na 52ª conferência sobre as Américas organizada pela Ascoa, um fórum empresarial americano.

Nichols disse na semana passada que Cuba, Nicarágua e Venezuela não respeitam a Carta Democrática Interamericana - documento regional de defesa da institucionalidade vigente desde setembro de 2001 - "e, portanto", não espera que estejam presentes na próxima reunião de cúpula hemisférica, que será realizada de 6 a 10 de junho em Los Angeles.

Nichols não mencionou hoje o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, o qual anunciou nesta semana que não participará da IX Reunião de Cúpula "a menos que todos sejam convidados". O presidente da Bolívia, Luis Arce, assumiu a mesma postura. Líderes da Comunidade do Caribe (Caricom) também pediram uma reunião de cúpula "inclusiva".

Nenhum dos líderes que questionaram a existência de países não convidados para a reunião de Los Angeles evocou os compromissos da Carta Democrática Interamericana. A Organização dos Estados Americanos (OEA), secretaria técnica das reuniões de cúpula das Américas, destacou a importância do documento.

"A Carta Democrática Interamericana é a Constituição das Américas", tuitou o secretário-geral da OEA, Luis Almagro. "Deve-se preservá-la, fortalece-la, validá-la nos atos, nas ações, no compromisso com ela e com a democracia", acrescentou.

O porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, disse na última terça-feira que a Casa Branca ainda não enviou os convites oficiais para a reunião de cúpula.

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