EUA 'não se afastará' do Oriente Médio, garante Biden

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O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse aos líderes árabes neste sábado (16) que Washington permanecerá totalmente comprometido com o Oriente Médio e não cederá sua influência para outras potências mundiais.

"Não vamos nos afastar, nem deixaremos um vácuo para que seja preenchido por China, Rússia, ou Irã", afirmou Biden, durante uma cúpula em Jidá, na costa do Mar Vermelho, na Arábia Saudita.

Última parada da viagem de Biden ao Oriente Médio, a cúpula reúne os seis membros do Conselho de Cooperação do Golfo, assim como Egito, Jordânia e Iraque.

Às 13h45 GMT (10h45 em Brasília), Biden concluiu a visita de menos de 24 horas e deixou a Arábia Saudita a bordo do Air Force One.

Biden pretendia aproveitar a viagem para expor sua visão sobre o papel de Washington na região para não ceder influência a Rússia e China.

Na sexta-feira (16), ele se reuniu com o rei Salman, da Arábia Saudita, e com o governante saudita 'de facto', o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. As agências de Inteligência americanas afirmam que ele "avalizou" a operação de 2018 que matou o jornalista Jamal Khashoggi.

Em declarações nesta sexta, Biden classificou de "indignante" a morte de Khashoggi e disse que havia advertido o príncipe Bin Salman contra novos ataques a dissidentes, sem especificar quais medidas poderia tomar.

O príncipe herdeiro presidiu a sessão de abertura da cúpula neste sábado, à qual não compareceu o rei Salman.

Bin Salman nega qualquer envolvimento na morte de Khashoggi, assassinado no consulado do reino em Istambul, na Turquia. Seus restos mortais nunca foram encontrados.

Em suas declarações neste sábado, Biden disse aos líderes árabes reunidos na cúpula que "o futuro será conquistado por países que liberarem todo o potencial de suas populações [...], onde os cidadãos possam questionar e criticar os líderes sem medo de represálias".

- Tensões por Ucrânia -

Biden prometeu um pacote de um bilhão de dólares para a segurança alimentar no Oriente Médio e no norte da África, ameaçada desde a invasão russa da Ucrânia.

A ofensiva militar de Moscou na ex-república soviética revelou uma divergência anteriormente impensável entre Washington e seus principais aliados do Oriente Médio - Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos -, gigantes do petróleo cada vez mais independentes no cenário internacional.

Os países ricos do Golfo, que acolhem tropas americanas e apoiaram Washington durante décadas, se abstiveram de apoiar o governo Biden em sua tentativa de isolar o presidente russo Vladimir Putin.

Os analistas afirmam que essa nova postura revela um ponto de inflexão nas relações do Golfo com os Estados Unidos.

Em um gesto de aproximação, Biden convidou, neste sábado, seu colega dos Emirados Árabes Unidos, o xeque Mohamed bin Zayed Al-Nahyan, a visitar Washington antes do fim deste ano.

Por sua vez, Mohammed bin Salman disse, em seu discurso de abertura da cúpula, que esperava que o encontro servisse para "estabelecer uma nova era de cooperação conjunta [...] para servir a nossos interesses comuns e melhorar a segurança e o desenvolvimento nesta região vital para todo o mundo".

- 'Cooperação estratégica' -

Arábia Saudita e Estados Unidos firmaram ontem 18 acordos em áreas como energia, espaço, saúde e investimentos, de acordo com um comunicado saudita.

Os dois países enfatizaram "a importância de sua cooperação estratégica econômica e de investimentos, especialmente à luz da atual crise na Ucrânia e de suas repercussões, reiterando o seu compromisso com a estabilidade dos mercados mundiais de energia", diz uma declaração conjunta.

A Arábia Saudita concordou com a conexão das redes elétricas dos países do Conselho de Cooperação do Golfo com o Iraque, que depende, em grande medida, da energia procedente do Irã, "para proporcionar ao Iraque e a seu povo fontes de eletricidade novas e diversificadas", disse a Casa Branca.

Washington quer que o maior exportador mundial de petróleo abra as torneiras para reduzir os preços dos combustíveis e, assim, reduzir a inflação em seu país.

Porém, na sexta-feira, Biden reduziu as expectativas de que a viagem pudesse trazer benefícios imediatos.

"Estou fazendo tudo o que posso para aumentar o abastecimento para os Estados Unidos", disse, mas acrescentou que os resultados concretos não serão vistos antes de "algumas semanas".

- Relações com Israel -

A Casa Branca aproveitou a viagem para promover a integração entre Israel e os países árabes.

A Arábia Saudita não quis fazer parte dos Acordos de Abraão, promovidos pelos Estados Unidos, que propiciaram os vínculos de Israel com os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein em 2020.

Riade assinalou que manteria a tradicional postura da Liga Árabe de não estabelecer relações com Israel enquanto o conflito com os palestinos persistir. A monarquia do Golfo deu, contudo, sinais de abertura para a nação judaica.

Na sexta, anunciou o levantamento de restrições de sobrevoo para aviões que viajam de e para Israel, uma atitude que Biden considerou "histórica". O primeiro-ministro israelense, Yair Lapid, foi além, ao afirmar que se trata do "primeiro passo oficial na normalização [das relações] com a Arábia Saudita".

Em entrevista coletiva neste sábado, o ministro das Relações Exteriores do reino, príncipe Faisal bin Farhan, ressaltou, porém, que a decisão anunciada esta semana sobre o espaço aéreo saudita não é um sinal de melhora das relações de Riade com Israel.

"Não tem nada a ver com os laços diplomáticos com Israel", frisou o príncipe Farhan, em entrevista coletiva, insistindo em que "não é, de forma alguma, um impulso para novos passos".

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