EUA nega ter mentido sobre guerra no Afeganistão

Secretário americano da Defesa, Mark Esper (esq.), e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Mark Milley

Funcionários do alto escalão da Defesa do governo americano negaram, nesta sexta-feira (20), que os militares esconderam do público, durante anos, sua falta de avanço na guerra afegã.

O secretário da Defesa, Mark Esper, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Mark Milley, rejeitaram as acusações de que o Pentágono e outras agências do governo deram informações falsas sobre avanços no terreno, enquanto, nos EUA, os funcionários manifestavam seu ceticismo quanto à guerra.

"Sei que há uma afirmação de que houve algum tipo de mentira coordenada no período de 18 anos", disse Milley aos jornalistas. "Me parece uma caracterização equivocada", frisou.

"Muitos demos avaliações com base em fatos que conhecíamos no momento", acrescentou. "E foram avaliações honestas que nunca tiveram a intenção de enganar o Congresso, nem o povo americano", completou.

Na semana passada, o jornal "The Washington Post" começou a publicar o que chamou de "The Afghan Papers", uma série de comunicações internas do governo que documentam o fracasso nos esforços para derrotar o grupo talibã e fortalecer o governo afegão.

O "Post" disse que os documentos "contradizem um longo coro de declarações públicas de presidentes, comandantes militares e diplomatas que asseguraram aos americanos, ano após ano, que estavam avançando no Afeganistão e que valia a pena fazer a guerra".

Milley classificou o que foi publicado como uma "peça muito, muito boa de jornalismo investigativo".

Insistiu, porém, em que os documentos eram entrevistas e avaliações "retrospectivas" feitas para rever a experiência dos Estados Unidos, e não para desmascará-la, diferentemente dos "Pentagon Papers". Vazados em 1971, estes últimos mostraram um comportamento muito mais manipulador por parte do governo durante a guerra do Vietnã.

Ele disse ainda que as forças americanas tiveram êxito em erradicar a Al-Qaeda, o grupo extremista com sede no Afeganistão por trás dos ataques do 11 de Setembro contra os Estados Unidos, e em punir seus protetores, os talibãs.

"Nosso objetivo original ao entrar no Afeganistão em 7 de outubro de 2001 era evitar que se transformasse em uma plataforma para lançar ataques terroristas nos Estados Unidos", explicou, insistindo em que "até a data isso foi um sucesso".