EUA: para combater inflação, Fed eleva taxas em 0,75 ponto percentual

© AP - Susan Walsh

Diante de uma inflação que não dá sinais de desaceleração nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, foi agressivo nesta quarta-feira (27), com um novo aumento acentuado em suas principais taxas, na tentativa de conter um cenário de ameaça de recessão.

O Comitê Monetário do Fed (FOMC) se reuniu nestas terça (26) e quarta-feira e elevou suas taxas principais em três quartos de ponto percentual. Estas estão agora entre 2,25% e 2,50%. Esta foi a quarta alta consecutiva: um quarto de ponto em março (0,25), meio ponto em maio (0,5) e três quartos de ponto em junho (0,75), seu maior aumento desde 1994.

E "o Comitê Monetário antecipa que novos aumentos nas taxas básicas serão apropriados", comentou o Fed em um comunicado à imprensa. A decisão foi tomada por unanimidade pelos 12 membros votantes. O Comitê Monetário estava completo, sem ausências, pela primeira vez desde 2013.

O Fed, que costuma operar em altas de um quarto de ponto, prosseguiu com mais um forte aumento na tentativa de conter a inflação, que em junho alcançou um novo recorde de mais de 40 anos, de 9,1% ao ano.

O objetivo desses aumentos de taxas é encarecer o crédito para desacelerar o consumo e o investimento e, em última análise, aliviar a pressão sobre os preços. As principais taxas foram reduzidas urgentemente entre 0 e 0,25% em março de 2020, para apoiar a economia diante da crise do Covid-19, e permaneceram dentro desse intervalo até março passado.

“Aterrissagem suave”

"Os indicadores recentes de gastos e produção desaceleraram", informa o Fed, referindo-se em particular ao consumo, a locomotiva da economia americana. “No entanto, a criação de emprego manteve-se robusta nos últimos meses e a taxa de desemprego continua baixa”, acrescenta ainda o FOMC, que volta a garantir que está “muito atento aos riscos de inflação”.

O Fed espera uma “aterrissagem suave”, mas a tão esperada desaceleração econômica para derrubar os preços pode se mostrar muito forte, o que pode pesar no mercado de trabalho e até mesmo empurrar a maior economia do mundo para uma recessão. A boa saúde da economia americana deve, no entanto, permitir que esta escape [da recessão], de acordo com a ministra de Economia e Finanças de Joe Biden, Janet Yellen.

O FMI, no entanto, é menos otimista. “O ambiente atual sugere que a possibilidade de os Estados Unidos escaparem da recessão é pequena”, alertou seu economista-chefe, Pierre-Olivier Gourinchas, nesta terça-feira.

O Banco Central Europeu (BCE) também começou a apertar sua política monetária, seguindo muitas autoridades financeiras. O FMI revelou nesta terça-feira que é essencial que estas instituições continuem a lutar contra a inflação. É claro que isso não acontecerá sem dificuldades e "uma política monetária mais apertada terá inevitavelmente custos econômicos, mas qualquer atraso só os agravará", de acordo com o fundo.

PIB positivo

A instituição reduziu drasticamente sua previsão de crescimento para os Estados Unidos em 2022 e agora espera apenas 2,3%. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre será divulgado nesta quinta-feira (28). O resultado deve ser ligeiramente positivo, após um primeiro trimestre negativo (-1,6%).

Mas o risco de recessão continua a pesar na maior economia do mundo. A própria definição de recessão é debatida no país. Esses dois trimestres consecutivos são de contração do PIB? Ou uma deterioração mais ampla dos indicadores econômicos? A controvérsia provavelmente continuará, à medida que as eleições de meio de mandato se aproximam em novembro.

(Com informações da AFP)

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