EUA pedirão "plano claro" a países da Otan para aumentar despesa em Defesa

Washington, 28 mar (EFE).- O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, pressionará seus homólogos de Estados-membros da Otan na próxima sexta-feira para que desenvolvam um "plano claro" para elevar sua despesa em Defesa a 2% de seu PIB até 2024, informou nesta terça-feira o Departamento de Estado.

Tillerson participará na sexta-feira em Bruxelas de uma reunião de ministros das Relações Exteriores da Otan e levará várias instruções do presidente americano, Donald Trump, para preparar a cúpula de líderes da aliança que será realizada na mesma cidade belga no próximo dia 25 de maio.

"O que o secretário de Estado vai fazer, em preparação para a cúpula de líderes, é pressionar todos os aliados para que tenham um plano para chegar a 2% da despesa até 2024 ou antes, se possível", disse um funcionário do Departamento de Estado em entrevista coletiva telefônica.

Trump reforçou que os aliados devem "fazer mais" para cumprir esse compromisso que eles mesmos fixaram, e até agora há "cinco países" que já estão em 2%, enquanto "alguns outros estão muito perto, e outros necessitam de um plano mais claro de como chegar lá", segundo a fonte.

"Não é sustentável que os Estados Unidos sigam mantendo uma parte desproporcional desta carga", ressaltou o funcionário, insistindo que elevar a despesa de Defesa "não é um favor aos Estados Unidos", mas é "para sua própria segurança".

O governo americano também quer que, desse 2% do Produto Interno Bruto (PIB) dedicado à Defesa, "20% seja direcionado à construção de capacidade (militar), ao investimento em equipamentos militares", acrescentou.

Trump, que qualificou a Otan de "obsoleta" durante a campanha eleitoral do ano passado, moderou sua retórica desde que chegou ao poder, mas pressionou vários países europeus a gastar mais em Defesa e denunciou que a Alemanha deve "grandes somas de dinheiro" à aliança e a seu país.

Durante sua visita a Bruxelas, Tillerson também "pressionará à Otan para aumentar seu papel na luta contra o terrorismo", segundo o funcionário.

Além disso, salientará a necessidade de "melhorar a situação de segurança no leste da Ucrânia e a necessidade de que a Otan siga pressionando à Rússia para que detenha sua agressão contra seus vizinhos e cumpra seus compromissos" no relativo ao conflito ucraniano.

A reunião ministerial da Otan estava marcada originalmente para os dias 5 e 6 de abril, mas foi transferida para esta sexta-feira com o objetivo de ajustar-se à agenda de Tillerson.

A fonte americana confirmou que o motivo que impede Tillerson de comparecer em abril é a visita aos Estados Unidos do presidente da China, Xi Jinping, prevista para as mesmas datas.

Antes de sua viagem a Bruxelas, Tillerson visitará a Turquia nesta quinta-feira para se reunir com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e outros funcionários turcos. EFE