EUA inicia retirada de militares de porta-aviões afetado por Covid-19

Por Paul HANDLEY
O porta-aviões USS Theodore Roosevelt está atracado em Guam, após um surto de COVID-19 infectar pelo menos 114 tripulantes

Os Estados Unidos estão retirando milhares de marinheiros do porta-aviões nuclear USS Theodore Roosevelt em Guam, depois que o capitão do navio avisou que um surto de coronavírus à bordo ameaça a vida da tripulação.

Segundo a Marinha americana, foram registrados 93 casos da Covid-19 detectados na embarcação que tem 4.800 tripulantes.

Oficiais do Pentágono informaram que a Marinha está procurando por quartos de hotel nesta Ilha do Pacífico, enquanto organiza uma equipe de marinheiros saudáveis para fazer a manutenção do barco.

"O plano agora é tirar o maior número possível de pessoas do Teddy Roosevelt, entendendo que temos medo de deixar alguns oficiais a bordo para realizar as tarefas padrão de manutenção do barco operacional", disse o contra-almirante John Menoni, comandante da região das Marianas.

O secretário interino da Marinha, Thomas Modly, disse de Washington que cerca de 1.000 tripulantes do porta-aviões já haviam desembarcado e que o número chegaria a 2.700 pessoas em alguns dias.

Mas cerca de 1.000 militares precisarão permanecer a bordo do navio para mantê-lo em funcionamento, enquanto uma esterilização completa do equipamento está em andamento.

"Não podemos e não removeremos todos os marinheiros do navio", disse Modly. "Este navio contém armas, munições, aviões caros e uma usina nuclear", explicou.

Nesta mesma semana, o capitão do porta-aviões informou o Pentágono que os coronavírus se espalhava incontrolavelmente à bordo e pediu ajuda para colocar sua tripulação em quarentena.

"A propagação da doença está se movendo e acelerando", escreveu o capitão Crozier, em carta a seus superiores.

"Não estamos em guerra. Nós, marinheiros, não precisamos morrer", implorou, pedindo para retirar toda a equipe do navio e assumir esse "risco necessário".

- Na base -

Menoni disse que está preparando um plano para remover o maior número possível de tripulantes do navio e que 40 especialistas em saúde marinha devem chegar para ajudar nos testes.

Ele também explicou que apenas os marinheiros cujos testes apontem que estão saudáveis serão alojados fora da Base Naval de Guam, um porto estratégico no meio do Pacífico.

"Ninguém deixará a base a menos que tenha testado negativo para o Covid-19", garantiu Menoni.

- Entre saúde e segurança -

A atracagem do Roosevelt em Guam, em 28 de março, deixou os dois porta-aviões do Pentágono no Pacífico no porto, pois o USS Ronald Reagan está no Japão e também possui um número desconhecido de casos de coronavírus à bordo.

O secretário de Defesa Mark Esper disse que não espera que nenhum país teste a capacidade de resposta militar dos Estados Unidos em meio à pandemia.

"O que vemos, o que tendemos a encontrar agora, é que muitos países voltaram o olhar para dentro e estão se concentrando internamente", disse.

Mais tarde, em novas declarações à imprensa, Esper afirmou que enquanto as forças militares seguiam a orientação sobre distanciamento social e saneamento, a difícil situação do Roosevelt e a extensão da pandemia não estavam erodindo as capacidades bélicas dos militares americanos.

"Parece que existe este discurso de que deveríamos fechar todo o exército dos Estados Unidos e abordar o problema desta maneira. Isto é factível", expressou na Casa Branca.

"Temos uma missão: nossa missão é proteger os Estados Unidos e nossa gente. E assim vivemos e trabalhamos em espaços reduzidos, seja um porta-aviões, um submarino, um tanque, um bombardeiro, é a natureza da nossa tarefa", acrescentou.