EUA planejam autorizar uso emergencial de remédio remdesivir contra coronavírus

O GLOBO, com NYT e agências
·3 minuto de leitura

RIO - A Food and Drug Administration (FDA), orgão de vigilância sanitária equivalente à Anvisa no Brasil, planeja anunciar nesta quarta-feira uma autorização de uso emergencial para o remdesivir, um medicamento antiviral experimental que está sendo testado no tratamento de pacientes com . A informação é do jornal americano New York Times, cuja fonte é um alto funcionário do governo.

Antes do anúncio, o presidente Donald Trump e Anthony S. Fauci, principal cientista de doenças infecciosas do governo federal, comemoraram nesta quarta-feira os primeiros resultados dos testes da droga, com esperança de que ela pudesse ajudar a conter o aumento do número de mortes.

Fauci alertou que os resultados do estudo supervisionado por sua agência, o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas, ainda precisam ser devidamente revisados por pares, mas expressam otimismo de que isso pode fazer a diferença na velocidade da recuperação de alguns pacientes infectados pelo vírus.

Outro estudo, realizado na China e publicado no Lancet, porém, questionou a eficácia do medicamento para o tratamento de pacientes graves, mas deixou em aberto a possibilidade de que pudesse ser útil para outros casos. A pesquisa, no entanto, é considera incompleta porque não havia participantes suficientes.

— Infelizmente, nosso estudo descobriu que, embora seguro e adequadamente tolerado, o remdesivir não forneceu benefícios significativos sobre o placebo — disse o principal pesquisador do novo estudo, Bin Cao, do Hospital de Amizade China-Japão e da Capital Medical University, em Pequim. — Este não é o resultado que esperávamos.

Já na avaliação do governo americano, o remdesivir pode reduzir o tempo de recuperação em cerca de um terço.

— Embora uma melhoria de 31% não pareça um nocaute de 100%, é uma prova de conceito muito importante, porque o que foi provado é que um medicamento pode bloquear esse vírus — disse Fauci. — Isso é muito otimista.

Cerca de 8% do grupo que tomou remdesivir morreu, em comparação com 11% no grupo controle.

Trump classificou os resultados como "um bom sinal".

— Certamente é um resultado positivo, é um resultado muito positivo — disse ele.

Atualmente, não existem tratamentos comprovados nem vacinas aprovadas para o novo coronavírus altamente contagioso, mas muitas abordagens estão sendo tentadas enquanto se aguarda uma imunização eficaz para prevenir a infecção pelo vírus.

Em comunicado, a Gilead Sciences, farmacêutica responsável pela fabricação do medicamento, disse estar "ciente de dados positivos emergindo" do estudo do instituto de Fauci.

O remdesivir ainda não está licenciado ou aprovado nos Estados Unidos, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo "e ainda não foi demonstrado que é seguro ou eficaz para o tratamento do Covid-19", de acordo com a Gilead.

O remdesivir nunca foi aprovado como tratamento para qualquer doença. Foi desenvolvido para combater o ebola, mas os resultados de um ensaio clínico na África foram decepcionantes.

As expectativas foram alimentadas por relatos de pacientes Covid-19 que tomaram remdesivir e se recuperaram. No entanto, sem ensaios comparando o medicamento com um placebo, foi impossível saber se a droga fez alguma diferença ou se os pacientes melhoraram sozinhos com os cuidados de suporte normais.

Após os elogios de Trump e Fauci, as ações da Gilead subiram mais de 6%.