EUA 'preocupado' com investigação da OMS na China sobre origem da covid-19

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O conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan

Estados Unidos tem "profundas preocupações" sobre a resposta inicial da China à crise da covid-19 e quer que Pequim "coloque à disposição seus dados desde os primeiros dias do surto", disse o assessor de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan.

Esta declaração chega dias depois de uma equipe de investigação da Organização Mundial da Saúde (OMS) voltar da cidade chinesa de Wuhan, o primeiro epicentro da pandemia, e dizer que o vírus pode ter sido originado com frutos do mar congelados, e não em um laboratório chinês como alguns haviam sugerido.

Os membros tiveram que andar na corda bamba durante a estadia, com Estados Unidos pressionando para que realizassem uma investigação "sólida" enquanto a China pedia que o assunto não fosse politizado.

"Temos profundas preocupações sobre a forma em que as primeiras conclusões da investigação da covid-19 foram comunicadas e as perguntas sobre o processo usado para chegar até elas", disse Sullivan.

"É imperativo que este relatório seja independente, com conclusões de especialistas livres de intervenção ou alteração por parte do governo chinês", continuou.

O funcionário pediu à China para "colocar seus dados desde os primeiros dias do surto à disposição".

Apesar de não ter encontrado a origem do vírus um ano depois do início da pandemia, a equipe de especialistas estrangeiros concordou que provavelmente o vírus foi transmitido dos morcegos para uma espécie de animal desconhecida antes de ser transmitido aos humanos.

A teoria de que o vírus foi criado em um experimento de laboratório que deu errado - uma teoria defendida pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e seu secretário de Estado Mike Pompeo - parece "extremamente improvável", disse a equipe, enquanto abre novas vias de investigação.

Os especialistas da OMS pediram mais dados à China sobre os casos iniciais de covid-19, informou o responsável da missão.

"Queremos mais dados. Pedimos mais dados", declarou Peter Ben Embarek.

"Há uma mistura de frustração, mas também uma mistura de expectativas realistas, em termos do que se pode fazer levando em conta as exigências de tempo", disse o especialista, que espera que esses dados brutos sejam entregues mais adiante.

Pequim afirmou várias vezes a teoria de que o vírus chegou na China através da embalagem de alguns produtos de frutos do mar congelados, uma teoria que a equipe da OMS não descarta.

Sullivan expressou seu "profundo respeito" pela OMS - à qual os Estados Unidos se reincorpora depois que o governo do ex-presidente Donald Trump a abandonou para protestar pela sua resposta ao vírus -, mas afirmou que proteger sua credibilidade é "uma prioridade absoluta."

O funcionário americano, no entanto, disse que "voltar a se comprometer com a OMS também significa exigir os padrões máximos. E neste momento crítico, proteger a credibilidade da OMS é uma prioridade absoluta".

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse na sexta-feira que a organização "sempre disse que esta missão (a Wuhan) não encontraria todas as respostas".

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