EUA: procurador-geral vê sérias irregularidades em prisão onde magnata morreu

Por Catherine TRIOMPHE
(Arquivo) O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr

O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, afirmou nesta segunda-feira (12) ter sido informado sobre "graves irregularidades" na prisão federal de Nova York, onde o investidor Jeffrey Epstein foi encontrado morto, aparentemente após cometer suicídio, e prometeu investigar eventuais cúmplices de seus abusos sexuais contra menores.

Barr, que tinha anunciado no sábado a abertura de duas investigações sobre a morte de Epstein, aparentemente um suicídio, disse que se sentiu "extremamente aborrecido" ao saber das falhas "para proteger adequadamente" a prisão, depois que vários meios de comunicação informaram que Epstein, aguardando julgamento por tráfico e abuso sexual de menores, não era monitorado adequadamente.

A imprensa americana reportou no domingo que o magnata, um dos presos mais importantes do país, tinha ficado sozinho em sua cela, embora devesse estar sempre acompanhado, e que as rondas previstas a cada 30 minutos não tinham sido cumpridas.

Epstein já havia sido encontrado inconsciente e com marcas no pescoço em sua cela, em 23 de julho, após uma aparente tentativa de suicídio. Contudo, não foi aplicada a vigilância anti-suicídio a ele - uma decisão que despertou indignação no dia seguinte a sua morte.

"Iremos até o fundo das coisas (...) e haverá responsáveis" identificados, garantiu Barr após um fim de semana repleto de teorias da conspiração - algumas citadas por Donald Trump.

Muitas dessas teorias insinuam que a morte de Epstein envolveria figuras poderosas relacionadas e ele, do príncipe Andrew da Inglaterra ao ex-presidente Bill Clinton.

As causas da morte ainda não foram oficialmente confirmadas. Após a necropsia, o legista de Manhattan optou por preservar suas conclusões à espera de "mais informações".

Epstein, de 66 anos, foi encontrado morto na prisão por volta de 6h30 no horário local no sábado no Metropolitan Correctional Center - prisão de segurança alta -, onde esperava por um julgamento que começaria pelo menos em junho de 2020.

Ele havia sido preso em 6 de julho e acusado em Nova York de organizar, pelo menos entre 2002 e 2005, uma rede com dezenas de meninas, algumas ainda secundaristas, com as quais fez sexo em suas inúmeras propriedades, especialmente em Manhattan e Flórida.

Depoimentos que foram conhecidos através de documentos judiciais apresentam uma imagem deste milionário e brilhante empresário, ex-professor de matemática, como um insaciável predador sexual de menores.

- Busca de cúmplices -

Barr reiterou nesta segunda o que já tinha afirmado ao procurador federal de Manhattan no sábado: "a investigação continuará contra qualquer um que tiver sido cúmplice de Epstein.

Ghislaine Maxwell, 57 anos, filha do falecido magnata da mídia britânica Robert Maxwell, amiga muito próxima de Epstein, é agora a suspeita número um, embora tenha negado qualquer envolvimento

Algumas supostas vítimas do investidor o acusam de recrutar ativamente adolescentes para satisfazer o apetite sexual aparentemente insaciável da sua amiga, bem como de ter participado nos abusos.

Em relação a essa denúncia, vários meios de comunicação informaram que o FBI implantou vários agentes em Little St. James, uma ilha particular que Epstein possuía no Caribe, onde tinha uma mansão e era conhecida como "ilha da pedofilia" pelos jovens que, supostamente, o magnata mandou para lá.

Em uma ação civil movida contra ela e Epstein em 2015, Virginia Giuffre (36), uma dessas supostas vítimas, afirma que Maxwell a manteve na década de 2000 como uma "escrava sexual".

Epstein viajava regularmente para a França, onde tinha pelo menos uma propriedade, e estava voltando do país europeu em um avião particular quando foi preso no início de julho.

Os ministros franceses Marlene Schiappa (Igualdade entre Mulheres e Homens) e Adrien Taquet (Proteção de Menores) pediram nesta segunda-feira a abertura de uma investigação sobre o caso na França.