EUA propôs ideias "muito sérias" ao Irã para retomar acordo nuclear

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Diplomatas da UE, China, Rússia e Irã no início das negociações no Grand Hotel em Viena

Os Estados Unidos propuseram ideias "muito sérias" a Teerã sobre como retomar o acordo nuclear iraniano durante as negociações em Viena, mas estão esperando que a República Islâmica mostre a mesma "seriedade", revelou uma autoridade americana nesta sexta-feira (9).

"A equipe dos EUA propôs ideias muito sérias e mostrou seriedade em sua intenção de respeitar o acordo se o Irã fizer o mesmo", afirmou o funcionário a repórteres, no momento de uma interrupções nas negociações antes do fim de semana.

O funcionário, porém, disse que os Estados Unidos esperam que os esforços do Irã sejam "recíprocos".

"Vimos alguns sinais disso, mas certamente não o suficiente. Ainda há dúvidas se o Irã tem a vontade de adotar a abordagem pragmática que os Estados Unidos adotaram para voltar a cumprir suas obrigações sob o acordo", concluiu.

O presidente Joe Biden é a favor da retomada do acordo de 2015, abandonado por seu antecessor Donald Trump, segundo o qual o Irã se comprometia a reduzir drasticamente suas atividades nucleares em troca de promessas de alívio das sanções.

O Irã exigia que os Estados Unidos primeiro retirassem todas as sanções impostas por Trump, antes de retroceder nas medidas de conformidade nuclear que haviam tomado como protesto à posição americana.

O funcionário do governo Biden indicou que o principal obstáculo nas negociações iniciais não era a ordem de cumprimento, mas sim as sanções que estavam sendo debatidas, visto que o Irã exige o fim de todas as restrições impostas pelos Estados Unidos.

A posição do Irã "não é consistente com o acordo em si porque, segundo o acordo, os Estados Unidos retêm o direito de impor sanções por motivos não nucleares, seja por terrorismo ou violações dos direitos humanos ou interferência em nossas eleições", explicou.

"Estamos dispostos a retirar todas as sanções que são inconsistentes com o JCPOA [sigla do nome oficial do acordo] e são inconsistentes com os benefícios que o Irã espera do JCPOA. Isso não significa todas, porque algumas delas são sanções legítimas”, continuou.

O Irã se recusou a se encontrar diretamente com o negociador norte-americano Rob Malley durante as negociações lideradas pela UE, cujos enviados mediaram as conversas.

"Os Estados Unidos - que causaram esta crise - devem primeiro retornar ao cumprimento total" do acordo, escreveu o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohamad Javad Zarif, no Twitter, afirmando que, caso seja ouvido, "o Irã retribuirá após rápida verificação".

O chefe da delegação iraniana nas negociações, Abbas Araghchi, destacou a necessidade de "vontade política e seriedade das outras partes". "Do contrário, não haverá razão para continuar as negociações", disse ele, de acordo com um comunicado do Ministério das Relações Exteriores iraniano.

As conversas serão retomadas no mesmo formato na próxima semana.

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