EUA punem empresa responsável por eleições na Venezuela

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(6 dez) Mesários trabalham em eleições na Venezuela

O Departamento do Tesouro americano puniu nesta sexta-feira (18) a empresa Ex-Cle Soluciones Biométricas por seu papel nas eleições legislativas do último dia 6 na Venezuela, denunciadas por Washington como uma farsa.

A Ex-Cle C.A., subsidiária na Venezuela da empresa argentina de mesmo nome, possui contratos de milhões de dólares com o governo de Nicolás Maduro, que não é reconhecido por Washington, e outros 50 países.

No começo do mês, a Venezuela realizou eleições parlamentares boicotadas pela oposição e vencidas pelo oficialismo. "Os esforços ilegítimos do regime para roubar as eleições na Venezuela mostram seu desprezo pelas aspirações democráticas do povo venezuelano", indicou o secretario do Tesouro, Steven Mnuchin.

Segundo autoridades americanas, as máquinas de votação fizeram um trajeto complicado para chegar à Venezuela, passando por países que mantêm conflitos com o governo americano, uma vez que foram compradas na China, voaram pelo Irã e foram pagas usando o sistema financeiro russo.

"Os Estados Unidos seguem comprometidos com golpear o regime de Maduro e aqueles que apoiam seus objetivos de negar ao povo da Venezuela seu desejo de ter eleições livres e justas", indicou o Departamento do Tesouro.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, indicou que o uso por Maduro das máquinas da Ex-Cle C.A. e da empresa chinesa CEIEC - acusada de restringir a dissidência na internet - "para fraudar o processo eleitoral não deveria deixar dúvidas de que as eleições de 6 de dezembro foram fraudulentas e não refletem o desejo do povo venezuelano".

Maduro respondeu a Pompeo, qualificando de "estúpidas" as novas sanções.

"O inefável, o inapresentável Mike Pompeo (...) tirou umas sanções estúpidas como bom imbecil que é, já com suas malas prontas, contra a empresa e os empresários que fabricaram as máquinas para que o povo da Venezuela votasse", disse o presidente em um discurso na governista Assembleia Constituinte, que tomou as atribuições da maioria opositora do Parlamento em fim de mandato.

Observadores internacionais apontaram irregularidades nas eleições, uma vez que Maduro controla a autoridade eleitoral.

O Departamento do Tesouro americano também impôs sanções a dois executivos da empresa - um venezuelano e um argentino com nacionalidade italiana -, o que implica o congelamento dos ativos dos mesmos nos Estados Unidos.

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