EUA querem acelerar processamento de pedidos de asilo do programa 'Fique no México'

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Um migrante mexicano segura um cartaz que diz "Biden: iluminamos o caminho para uma reforma migratória humanitária", em uma vigília de migrantes e seus defensores em Tijuana, Baja California, México, em 19 de janeiro de 2021

Os Estados Unidos querem processar os pedidos de asilo de migrantes do programa "Fique no México" o mais rápido possível, mas novos casos não serão considerados, disse uma alta funcionária da Casa Branca nesta sexta-feira (29).

Roberta Jacobson, assessora do presidente Joe Biden para a fronteira sudoeste, afirmou que "nas próximas semanas" buscarão agilizar a atenção aos cadastrados "há meses ou anos" nos chamados Protocolos de Proteção ao Migrante (MPP), com especial ênfase nos "mais vulneráveis".

"Vamos nos dedicar a processar essas pessoas o mais rápido possível, e muito mais rápido do que antes, para garantir que todos tenham a oportunidade de ter seu pedido de asilo processado", disse ela durante uma entrevista coletiva por telefone. “Esta é uma prioridade do governo”, garantiu.

O programa dos MPP foi anunciado pelo ex-presidente Donald Trump em dezembro de 2018 com o objetivo de deter os imigrantes sem documentos que chegavam em massa à fronteira sul em busca de refúgio, a maioria deles da América Central.

Desde janeiro de 2019, quando começou a ser implantado, até dezembro de 2020, pelo menos 70 mil pessoas foram devolvidas ao México no âmbito dos MPP, segundo dados da ONG American Immigration Council.

Quando a pandemia de covid-19 foi declarada em março de 2020, todas as audiências foram suspensas, deixando milhares de migrantes no limbo no México. Mesmo assim, o governo Trump continuou a receber requerentes de asilo sob esses protocolos até o final de seu mandato.

Em 20 de janeiro, mesmo dia da posse de Biden, o Departamento de Segurança Interna (DHS) anunciou a suspensão de novos registros e pediu a todos os inscritos nos MPP que "fiquem onde estão", enquanto aguardam informações sobre seus casos.

Jacobson enfatizou nesta sexta-feira que os migrantes que correrem para a fronteira na tentativa de se adiantar na fila só afetarão "negativamente" suas chances.

E pediu veementemente a todas as pessoas que agora pretendem chegar à fronteira com os EUA que desistam da viagem.

“Todos nós sabemos que os traficantes estão espalhando mensagens muito diferentes: que agora a fronteira está aberta ou que é mais fácil entrar nos Estados Unidos. Mas a verdade é que isso é falso”, disse ela aos jornalistas.

Embora as fronteiras terrestres entre os Estados Unidos e o México estejam fechadas ao trânsito não essencial desde março de 2020 devido à crise de saúde, milhares de hondurenhos tentaram avançar ao norte em meados de janeiro, confiando em um relaxamento das condições migratórias com a chegada de Biden à Casa Branca.

“É importante que eles não alcancem a fronteira dos Estados Unidos agora. Não é o momento, é muito perigoso”, ressaltou Jacobson, uma diplomata com vasta experiência na América Latina que entre 2016 e 2018 foi embaixadora no México.

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