EUA querem colocar foco da ONU sobre protestos no Irã

Protesto contra a morte de Mahsa Amini na Times Square, em Nova York

Por Michelle Nichols

SEDE DA ORGANIZAÇÂO DAS NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Na próxima semana, os Estados Unidos colocarão os holofotes da Organização das Nações Unidas sobre os protestos no Irã, provocados pela morte de uma jovem sob custódia policial, e buscarão maneiras de promover investigações independentes e confiáveis sobre os abusos dos direitos humanos no Irã.

Os Estados Unidos e a Albânia realizarão uma reunião informal do Conselho de Segurança da ONU na quarta-feira, de acordo com uma nota descrevendo o evento, vista pela Reuters. A laureada iraniana com o Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi e a atriz e ativista iraniana Nazanin Boniadi devem participar.

"A reunião destacará a repressão contínua de mulheres e meninas e membros de grupos religiosos e minoritários étnicos no Irã", disse a nota. "Isso identificará oportunidades para promover investigações credíveis e independentes sobre as violações e abusos dos direitos humanos do governo iraniano".

O investigador independente da ONU sobre direitos humanos no Irã, Javaid Rehman, também deve discursar na reunião, que pode ser assistida por outros estados membros da ONU e grupos de direitos humanos.

O Irã tem sido dominado por protestos desde a morte da curda Mahsa Amini, de 22 anos, sob custódia policial no mês passado. A agitação se transformou em uma revolta popular de iranianos de todas as camadas da sociedade, representando um dos desafios mais ousados à liderança clerical desde a revolução de 1979.

O Irã culpou seus inimigos estrangeiros e seus agentes pela agitação.

"A reunião destacará o uso ilegal da força contra manifestantes e a perseguição do regime iraniano a defensores de direitos humanos e dissidentes no exterior para sequestrá-los ou assassiná-los em violação do direito internacional", dizia a nota sobre a reunião planejada.

Grupos de direitos humanos disseram que pelo menos 250 manifestantes foram mortos e milhares foram presos em todo o país. As mulheres têm desempenhado um papel de destaque nos protestos, removendo e queimando véus. As mortes de várias adolescentes supostamente mortas durante os protestos alimentaram ainda mais a raiva.