EUA querem continuar sendo "parceiro predileto da América Latina"

Washington, 6 abr (EFE).- Os Estados Unidos querem continuar sendo "o parceiro predileto" da América Latina, frente à cada vez maior presença na região de outros países como Rússia, China e Irã, segundo afirmou nesta quinta-feira o almirante Kurt Tidd, chefe do Comando Sul americano.

Em uma entrevista ao serviço informativo do Pentágono, Tidd afirmou que esses três países estão "presentes e muito ativos" no hemisfério ocidental, e advertiu que, se há uma preocupação global por eles, também "é preciso prestar atenção no que estão fazendo na região da América Latina".

De especial preocupação, segundo disse, são as áreas onde Rússia, China e Irã "estão tentando deslocar os Estados Unidos como parceiro predileto" na América Latina, razão pela qual Washington tem que assegurar-se que seus companheiros no continente "queiram tratar com os EUA e seja mais fácil fazê-lo".

"Todos os dias olhamos para o que podemos fazer para criar confiança onde talvez não exista, para poder sustentar a confiança e finalmente poder assegurar-nos que não façamos nada que comprometa essa confiança", disse Tidd sobre sua relação com os outros países das Américas.

Tidd explicou que no passado o Comando Sul se centrou principalmente na luta contra as drogas, especialmente a cocaína, mas agora sua maior preocupação é resistir às redes criminosas que estão sendo utilizadas por grupos terroristas.

"Descobrimos que de fato há terroristas que estão aproveitando algumas destas redes para poder movimentar-se em direção aos Estados Unidos", revelou, ressaltando que seu Comando ainda trabalha para determinar o alcance da ameaça.

Tidd, que se pôs à frente do Comando Sul em janeiro de 2016, destacou também que parte das missões mais importantes que deve dirigir são as de rápida resposta a possíveis crises na América Latina, como inundações, terremotos e furacões.

No entanto, reconheceu que muitos países latino-americanos já estão muito preparados para enfrentá-las.

"Estão muito bem treinados, têm bom equipamento e estivemos trabalhando com eles em várias áreas enquanto todos coletivamente tentamos desenvolver uma força preparada para enfrentar os desafios de segurança do século XXI", declarou o almirante.

O Comando Sul é responsável por toda a cooperação de segurança do Departamento de Defesa americano nas 45 nações e territórios das América Central e do Sul, assim como do Mar Caribe. EFE