EUA querem privatizar gigantes imobiliárias uma década após crise

Sede da Fannie Mae, em Washington

Uma década após o estouro da bolha imobiliária que desencadeou a grande recessão dos Estados Unidos, o governo do presidente Donald Trump quer privatizar os principais eixos do gigantesco mercado imobiliário.

O secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, compareceu ao Senado nesta terça-feira para apresentar uma reforma financeira do sistema imobiliário que inclui as entidades apoiadas pelo governo Fannie Mae e Freddie Mac.

"Na sua forma atual, Fannie e Freddie ainda são grandes demais para falir", disse Mnuchin aos legisladores. Ele acrescentou que, devido ao tamanho e à importância, eles geram obrigações para o sistema financeiro que podem exigir outro resgate - que seria muito impopular.

As duas organizações - que juntas representam quase metade de todas as hipotecas residenciais nos Estados Unidos - foram nacionalizadas desde o desastre imobiliário de 2008, que criou uma crise global.

O governo alocou US$ 190 bilhões naquele ano para impedir que eles falissem, quando milhares de americanos deixaram de pagar suas hipotecas.

Na práticas, elas não criaram as hipotecas, mas injetaram liquidez no setor imobiliário comprando hipotecas de bancos e depois fazendo pacotes de ativos que eles venderam a investidores que, por sua vez, poderiam mantê-los ou revendê-los. O sistema entrou em colapso porque se baseava em hipotecas de alto risco por inadimplência.

Mark Calabria, diretor da agência federal de habitação, disse que uma queda de 25% no mercado imobiliário atualmente geraria prejuízos financeiros de US$ 43 bilhões.

"Em sua atual condição financeira, as empresas não estão equipadas para suportar uma queda no mercado imobiliário", afirmou.

Ambas estão autorizados a ter um capital de reserva de US$ 6 bilhões de dólares.

Na semana passada, o Tesouro criou um plano para reformas essas entidades, uma promessa do governo Trump.