EUA questiona plano antidrogas da Colômbia por envolver Farc

Coluna de guerrilheiros das Farc caminham na zona de padronização de Pondores, La Guajira, 3 de abril de 2017

Os Estados Unidos questionaram nesta terça-feira o plano antidrogas da Colômbia por envolver a ex-guerrilha das Farc, e pediram ao governo colombiano para garantir que o pacto de paz com os rebeldes não seja usado por narcotraficantes para evitar a extradição.

William Brownfield, responsável pela luta antinarcóticos no Departamento de Estado americano, fez estas afirmações ao expressar a "profunda e crescente preocupação" do governo de Donald Trump pelo aumento na Colômbia do cultivo de coca, base da cocaína.

"Os Estados Unidos não apoiam atualmente o programa de erradicação voluntária e substituição de cultivos do governo colombiano porque as Farc estão envolvidas em alguns aspectos do programa", disse Brownfield.

"E (as Farc) continuam sendo designadas como Organização Terrorista Estrangeira (FTO em inglês) em várias leis e regimes de sanções americanas", acrescentou, durante uma audiência no Senado sobre os esforços americanos contra o narcotráfico na Colômbia.

As Farc, que até completar seu desarmamento - em meados de agosto - eram o maior grupo rebelde da América, admitiram ter usado o narcotráfico como fonte de financiamento para a conflagração. Mas no acordo histórico assinado em novembro passado para pôr fim a meio século de conflito armado se comprometeram a ajudar o Estado a combater o tráfico de drogas.

Brownfield lamentou que entre 2013 e 2016, quando o acordo de paz era negociado - apoiado por Washington-, o cultivo de coca na Colômbia aumentou mais de 130%, passando de 80.500 hectares em 2013 para 188.000 hectares em 2016.

"Depois de anos de progresso na luta contra o cultivo de coca e a produção de cocaína, a Colômbia é mais uma vez o maior produtor mundial de cocaína e, origem de aproximadamente 92% da cocaína apreendida nos Estados Unidos", disse.

As Farc são "o principal facilitador da atual situação de narcóticos na Colômbia", disse o diplomata, grande conhecedor desse país, onde foi embaixador entre 2007 e 2010.