EUA rebatizam morros e vales para remover termo considerado racista por indígenas

PETRÓPOLIS, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Departamento do Interior dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (12) que rebatizou cinco lugares cujos nomes incluíam o termo racista "squaw" ou "esposa pele-vermelha", usado para se referir pejorativamente a mulheres indígenas.

"Palavras importam, sobretudo no nosso trabalho, que busca garantir que locais públicos sejam acessíveis e acolhedores para pessoas de todas as etnias", afirmou a secretária do Interior, Deb Haaland, em nota publicada no site da pasta -o texto não usa o termo racista nenhuma vez, substituindo-o por "sq__".

Nomeada por Joe Biden, Haaland é a primeira indígena na história do país a liderar o departamento, que também cuida de questões relacionadas aos cerca de 1,9 milhões de membros de povos nativos americanas. Em setembro passado, sua gestão já tinha anunciado a renomeação de outros 650 locais pelo país cujos nomes eram considerados racistas para indígenas.

Haaland, aliás, foi uma crítica contumaz do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL), e compareceu à posse de seu sucessor, Lula (PT), neste mês. Ela tem papel central na implementação da agenda ambiental e climática de Biden.

Os locais renomeados nesta quinta ficam nos estados da Califórnia, Texas, Tennessee e Dakota do Norte. Na Califórnia, Squaw Hill e Squaw Valley viraram Loybas Hill e Yokuts Valley, respectivamente --os termos podem ser ser traduzidos como "colina da jovem dama" e "vale do povo", respectivamente. No Texas, Squaw Mountain se tornou Lynn Creek, enquanto no Tennessee, Squawberry foi rebatizada de Partrigeberry.

Por fim, na Dakota do Norte, "Squaw Gap" virou "Homesteaders Gap", ou fenda dos pioneiros. A mudança dividiu opiniões na comunidade local, segundo a agência de notícias AP. Enquanto o indígena Mark Fox, chefe da Nação Mandan, Hidatsa e Arikara, elogiou-a, acrescentando que ela era há muito esperada, Joel Brown, membro de um conselho local do Condado de McKenzie, afirmou que ele e muitos dos habitantes da área ficaram descontentes. Ele, que é caucasiano, disse que a comunidade local advogava o mínimo de interferência federal possível porque sentia que o governo em geral "não tem noção de como a economia e a cultura funcionam por aqui".

Esta não é a primeira vez que o Departamento do Interior rebatiza locais cujos nomes incluem termos considerados racistas. Já a partir dos anos 1960, ele ordenou a renomeação de áreas que usavam palavras ofensivas a negros e japoneses.

Só no ano passado, as autoridades renomearam 28 áreas no estado de Wisconsin para remover "squaw". Um comitê ainda recomendou rebatizar uma montanha no Colorado cujo nome faz referência ao massacre de mais de 200 indígenas dos povos Arapaho e Cheyenne no século 19, e o governo federal renomeou centenas de picos, lagos, riachos e outros acidentes geográficos cujas designações continham termos racistas ou misóginos.