EUA receberá 125.000 refugiados ao ano contra 15.000 atualmente, diz Biden

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O presidente americano, Joe Biden, discursa no Departamento de Estado em 4 de fevereiro de 2021

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quinta-feira (4) a intenção de multiplicar por oito o número de refugiados que poderão ser admitidos nos Estados Unidos com base no mínimo histórico imposto por Donald Trump ao final do seu mandato.

Segundo uma promessa de campanha, Biden estabeleceu a cota anual de refugiados que poderão ser admitidos no programa de reassentamento em 125.000, em comparação com os 15.000 no atual ano fiscal.

"Enfrentamos uma crise de mais de 80 milhões de deslocados que sofrem em todo o mundo", disse o presidente, ao anunciar um decreto presidencial que permite "aumentar as admissões de refugiados a 125.000 no primeiro ano fiscal completo" do novo governo, que começará em 1º de outubro.

A cifra de 15.000 foi anunciada por Trump quase um mês antes das eleições presidenciais de novembro que ele perdeu.

Trump fez da luta contra a imigração, legal ou ilegal, uma das prioridades de sua Presidência.

Sob o mandato do seu antecessor, o democrata Barack Obama, eram recebidas, em média, 100.000 pessoas por ano.

Este programa só diz respeito aos refugiados selecionados pelas agências de Inteligência e segurança do país em acampamentos das Nações Unidas em todo o mundo.

Opta-se, principalmente, entre os mais vulneráveis, como os idosos, as viúvas e os portadores de deficiências.

Biden enfatizou que o programa de reassentamento também protegerá os membros da comunidade LGBT.

"Nós nos asseguramos de promover os direitos destas pessoas, lutando contra a criminalização e protegendo os refugiados e solicitantes de asilo" que pertencem a esta comunidade, disse durante um discurso no Departamento de Estado.

"Proporcionamos refúgios seguros para quem foge da violência e da perseguição e nosso exemplo levou outros países a abrirem as portas de par em par", lembrou o presidente.

Durante anos, os Estados Unidos acolheram mais refugiados do que todos os demais países do mundo juntos, mas o Canadá superou o vizinho em 2019, ao abrir as portas a mais de 30.000 migrantes, segundo cifras das Nações Unidas.

O Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, acolheu com satisfação este anúncio.

"A ação do presidente Biden salvará vidas, simples assim", disse em um comunicado.

"Também mostra que a força se baseia na compaixão", acrescentou.

Segundo as Nações Unidas, o número de refugiados acolhidos no mundo nunca foi tão baixo em vinte anos, apesar dos níveis recorde de deslocamentos forçados, em grande parte devido à pandemia de covid-19.

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