EUA reitera preocupações de segurança por tecnologia chinesa na fronteira com México

O uso de equipamentos de segurança chineses na fronteira entre Estados Unidos e México é uma "preocupação" que pode ser resolvida se ambos os países fabricarem os seus próprios, disse um funcionário do Departamento de Estado americano nesta segunda-feira (31).

"Existem preocupações de segurança significativas quando se fala desse tipo de tecnologia e da informação que circula entre Estados Unidos e México", afirmou Todd Robinson, subsecretário do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei, referindo-se aos equipamentos procedentes da China.

Além disso, "existem empresas nos Estados Unidos e no México que têm capacidade para produzir equipamentos muito bons que os dois países poderiam usar" com "companhias que confiamos para lidar com o fluxo de informação", apontou Robinson em um evento no Woodrow Wilson Center de Washington.

Segundo uma investigação da ONG Mexicanos Contra a Corrupção e a Impunidade (MCCI), os Estados Unidos alertaram o México "dos riscos à segurança nacional envolvidos na compra de equipamentos de monitoramento de fronteiras fabricados pela Nuctech, uma empresa ligada ao governo da China".

A organização, que cita documentos, afirma que o México "já instalou dezenas de equipamentos chineses em alfandegas e portos".

Robinson falou também sobre cooperação na questão da segurança entre os dois países vizinhos, especialmente no combate ao tráfico de drogas. Para isso, priorizam os esforços contra o tráfico de fentanil.

Em um momento em que os Estados Unidos sofrem com uma epidemia de drogas - com cerca de 108.000 mortes por overdose no ano passado -, Robinson aproveitou a oportunidade para pedir novamente que a China retome a cooperação contra a venda de entorpecentes.

"Continuamos clamando fortemente que a China volte à mesa de negociação e tome medidas significativas para acabar com o desvio de precursores químicos usados na produção de drogas ilícitas", disse ele.

A China suspendeu diversos acordos de cooperação em resposta à visita da presidente da Câmara dos Representantes do Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan, ilha que Pequim considera parte de seu território.

Agora, Washington considera que o México pode mediar os esforços.

"O governo mexicano talvez esteja em melhor posição para tentar fazer com que a China participe dos problemas compartilhados (...) sobre segurança e, em particular, sobre os precursores químicos, legais e ilegais, que fluem dessa parte do mundo", afirmou.

A China é "uma grande potência mundial e temos que encontrar maneiras de cooperar com eles quando pudermos e, ao mesmo tempo, enfrentá-los quando necessário", apontou.

Sobre a segurança fronteiriça, o subsecretário afirma que foi concluído um estudo, em colaboração com o México, sobre cinco portos de entrada para identificar como a infraestrutura e os procedimentos podem ser melhorados para detectar drogas, armas e outros contrabandos e, ao mesmo tempo, facilitar as viagens e o comércio. É provável que seja apresentado oficialmente assim que os dados forem analisados, acrescentou.

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