EUA rejeitam pedido da Rússia para barrar Ucrânia da Otan

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Antony Blinken de perfil e com feição séria
'Resta à Rússia decidir como responder', disse o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken. 'Estamos prontos de qualquer maneira'

Os Estados Unidos rejeitaram uma demanda da Rússia para barrar uma eventual entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, apresentou na quarta-feira (26) esta e outras decisões em uma resposta formal às propostas da Rússia para resolver a crise na Ucrânia.

Blinken não fez concessões, mas disse que está oferecendo a Moscou "um caminho diplomático sério, caso a Rússia opte por isso ".

Um ministro russo disse que seu país estudaria a resposta de Blinken, entregue em coordenação com a Otan.

A Rússia havia apresentado uma lista escrita com suas preocupações sobre a expansão da aliança militar da Otan e questões de segurança relacionadas. Entre elas, estava uma exigência para que organização excluísse a possibilidade de a Ucrânia e outros países entrarem na aliança.

A Ucrânia é considerada um "país parceiro", mas não membro da Otan. Isso significa que há um entendimento de que o país possa ingressar na aliança em algum momento no futuro.

Nas últimas semanas, a Rússia vem juntando um grande número de soldados na fronteira com a Ucrânia, algo que os países ocidentais interpretam como uma preparação para uma possível invasão. A Rússia nega isso.

Blinken disse que a resposta dos EUA deixou seus "princípios fundamentais" claros, incluindo a defesa da soberania da Ucrânia e seu direito de escolher fazer parte de alianças de segurança como a Otan.

"Não deve haver dúvidas sobre a seriedade de nossos propósitos quando se trata de diplomacia, e estamos agindo com igual foco e força para reforçar as defesas da Ucrânia e preparar uma resposta rápida e unida a novas hostilidades russas", disse o secretário de Estado.

"Resta à Rússia decidir como responder", acrescentou. "Estamos prontos de qualquer maneira."

Blinken acrescentou que os EUA enviaram três carregamentos de "assistência" militar nesta semana — incluindo mísseis Javelin e armamento antiblindagem, juntamente com centenas de toneladas de munição e equipamentos.

Conversas confidenciais

O secretário americano também negou qualquer divergência entre os EUA e seus aliados europeus. A Otan, disse ele, preparou seu próprio conjunto de propostas que "reforça totalmente as nossas (propostas americanas) e vice-versa".

Mas a resposta formal dos EUA não será tornada pública.

"A diplomacia tem mais chance de sucesso se dermos espaço para conversas confidenciais", disse Blinken.

O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, informou que o documento da aliança também foi entregue a Moscou. Ele afirmou que, embora esteja disposto a ouvir as preocupações da Rússia, defendeu que todas as nações têm o direito de escolher suas próprias estratégias de segurança.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, no entanto, disse mais cedo na quarta-feira que Stoltenberg "perdeu o contato com a realidade", quando questionado sobre a Otan aumentar sua presença perto das fronteiras da Rússia.

"Sabe, eu parei de ver as declarações dele há muito tempo", disse Lavrov à imprensa no parlamento russo.

Um sistema antimísseis ucraniano em ação, com explosão em meio à neve
Um sistema antimísseis ucraniano em ação

Separadamente, diplomatas da Rússia, Ucrânia, França e Alemanha reafirmaram o compromisso com o antigo acordo de cessar-fogo na Ucrânia, país onde rebeldes apoiados pela Rússia tomaram parte do território, na região leste de Donbas.

Todas as quatro nações continuam apoiando o cessar-fogo "independentemente de diferenças em outras questões" relacionadas aos acordos de Minsk de 2015, disse um comunicado publicado pela presidência francesa.

O vice-chefe de gabinete do Kremlin, Dmitri Kozak, caracterizou as conversas de oito horas em Paris como "nada simples". O grupo deve se reunir novamente em duas semanas em Berlim.

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