EUA responderá 'farsa' eleitoral na Nicarágua com mais pressão sobre Ortega

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Jovem vende camisas com a imagem do presidente Daniel Ortega em rua de Manágua (AFP/OSWALDO RIVAS)

Os Estados Unidos consideram que a Nicarágua consolidará uma "ditadura" com a previsível vitória de Daniel Ortega no próximo domingo, em eleições que são "uma farsa" e que precisarão de todo o peso jurídico e diplomático para restaurar a via democrática.

"Ortega e sua esposa e vice-presidente Rosario Murillo estão tramando eleições sem oposição que não lhes darão um mandato democrático em 7 de novembro", disse nesta sexta-feira (5) o chefe da diplomacia americana para a América Latina, Brian Nichols.

Junto com a mensagem, que foi postada no Twitter, o funcionário publicou um vídeo em que nicaraguenses denunciar um "estado de terror" no país centro-americano.

Cerca de 150 opositores, incluindo sete pré-candidatos, foram presos na Nicarágua e três partidos políticos foram proibidos.

Os Estados Unidos pedem "a libertação imediata e incondicional" de todos os políticos, jornalistas, estudantes e empresários da oposição presos, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jalina Porter.

O governo de Joe Biden disse que trabalhará para aumentar a pressão sobre Ortega, juntamente com países com interesses semelhantes, como Canadá, União Europeia (UE) e parceiros da América Latina e do Caribe.

"Essas eleições não terão credibilidade, são uma farsa", disse na quinta-feira (4) Patrick Ventrell, diretor de Assuntos Centro-Americanos no Departamento de Estado.

"Vamos para o cenário de uma ditadura que teremos que responder", afirmou durante um fórum organizado no Wilson Center e Atlantic Council, dois centros de estudos com sede em Washington.

A situação na Nicarágua, onde cerca de 150 opositores, incluindo sete pré-candidatos presidenciais, foram detidos por "golpistas" e três partidos foram ilegalizados, será debatida na próxima semana na assembleia geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que poderia inclusive suspender a participação do país no bloco regional.

Analistas estimam que a crise política nicaraguense, agravada após os protestos contra Ortega que começaram em 2018 e cuja repressão deixou mais de 300 mortos, também estará presente na Cúpula pela Democracia organizada por Biden para dezembro e na Cúpula das Américas, que será sediada pelos Estados Unidos no ano que vem.

É "um caso realmente claro de ruptura da ordem democrática. É algo que falaremos bastante nesses fóruns multilaterais porque a Nicarágua é realmente uma história desanimadora", opinou Ventrell.

O funcionário afirmou que o governo de Joe Biden promoverá a coordenação com países relacionados, como Canadá, União Europeia (UE) e sócios latino-americanos e caribenhos, para "aumentar a pressão" contra "um governo decidido a se agarrar ao poder a qualquer preço".

Os Estados Unidos também usarão "absolutamente" todos os instrumentos disponíveis, incluindo sanções econômicas, restrições de vistos e outras medidas punitivas, em prol da democratização da Nicarágua, disse Ventrell.

Para isso, Biden se apressa para promulgar a Lei RENACER, aprovada na quarta-feira com apoio unânime de legisladores democratas e republicanos e que oferece um arsenal de medidas para abordar o que o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, chamou de "o sombrio caminho do autoritarismo" na Nicarágua.

"Há uma variedade de coisas que podem ser feitas", disse na quinta-feira à imprensa o senador democrata Bob Menéndez, patrocinador da iniciativa, pedindo para avaliar a suspensão da Nicarágua do pacto de livre comércio entre Estados Unidos, América Central e República Dominicana (CAFTA-DR).

Menéndez lembrou que este tratado foi selado com países comprometidos com a democracia e o respeito aos direitos humanos e não com "prender candidatos a à presidência e líderes do setor privado".

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