EUA retiram um sobrinho da mulher de Nicolás Maduro de lista de sanções

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O governo dos EUA retirou de sua lista de sanções um sobrinho da mulher do presidente Nicolás Maduro, depois que autoridades do governo sinalizaram, há algumas semanas, que estavam dando passos para retomar o diálogo com a oposição. A decisão ocorre em meio a ações de Washington para amenizar as relações com Caracas, um movimento também associado à guerra na Ucrânia e à necessidade americana de diversificar suas fontes de fornecimento de petróleo.

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Carlos Erik Malpica Flores chefiou o Tesouro Nacional venezuelano, e desempenhou cargos na diretoria financeira da estatal do petróleo PDVSA e no Banco de Desenvolvimento da Venezuela. Ele também trabalhou na Chancelaria, no Parlamento e na Secretaria da Presidência, e seu nome aparecia na lista do Departamento do Tesouro desde 2017.

Em maio, a oposição venezuelana pediu ao governo dos EUA que concordassem com algumas medidas para estimular a retomada do diálogo com Maduro, como a retirada de integrantes do governo das listas de sanções e ações para beneficiar o setor petrolífero.

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Naquele mesmo mês, a Chevron, única empresa americano do setor que ainda mantém ativos em solo venezuelano, recebeu permissão para iniciar conversas com a PDVSA. No começo de junho, a espanhola Repsol e a italiana Eni receberam permissão para enviar petróleo extraídos em campos venezuelanos para a Europa, algo que era vetado pelas sanções dos EUA.

Oficialmente, as ações americanas têm como objetivo central incentivar as negociações diretas entre o governo e a oposição da Venezuela — no ano passado, os dois lados iniciaram conversas na Cidade do México, com mediação da Noruega, mas elas foram suspensas em outubro, após a prisão e extradição de Alex Saab, um empresário ligado às autoridades venezuelanas e acusado de lavagem de dinheiro pelos EUA.

Na semana passada, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, disse que as negociações na Cidade do México seriam retomadas rapidamente, e Gerardo Blyde, integrante da Plataforma Unitária (oposição), disse nesta sexta-feira que seu grupo está “trabalhando ao lado dos EUA em ações específicas” para reiniciar o diálogo.

Caracas ainda não comentou a decisão de retirar Malpica Flores da lista de sanções.

Além de ser uma forma de reverter a política de pressão sobre Nicolás Maduro, iniciada por Donald Trump e que não obteve mudanças práticas nos rumos do país, o governo Biden quer, com a flexibilização das sanções, abrir caminho para que a Venezuela aumente seus níveis de exportação de petróleo, inclusive para o Ocidente. Em março, antes dos pedidos da oposição, Washington chegou a enviar uma delegação a Caracas — oficialmente, a Casa Branca não reconhece Nicolás Maduro como presidente legítimo, mas sim o líder opositor Juan Guaidó.

Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, Washington, ao lado de alguns parceiros, anunciou um embargo ao petróleo russo, colocando mais pressão sobre os preços do setor de energia, já altos por fatores como a maior demanda por conta da retomada após os períodos mais graves da pandemia da Covid-19.

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Para Biden, a preocupação também é eleitoral: em novembro, os EUA realizam eleições legislativas, e os altos preços nas bombas de combustíveis podem dar fôlego à oposição republicana, e colocar em risco o domínio democrata do Congresso. Além da Venezuela, a Casa Branca faz acenos à Arábia Saudita, maior produtor de petróleo no mundo — em julho, o presidente americano fará uma visita ao país, onde se encontrará com o príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman.

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Em 2019, ainda como pré-candidato à Casa Branca, Biden chegou a chamar o governo saudita de “pária”, por conta de seu histórico de violações dos direitos humanos, incluindo o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. No início de seu mandato, também adotou um tom mais duro em relação a Riad, uma postura que parece ter ficado no passado.

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