EUA revela que acordo com Turquia para zona de segurança síria terá etapas

Veículos militares turcos e americanos se mobilizam em 2018 no nordeste da Síria.

O acordo entre Estados Unidos e Turquia para se estabelecer uma zona segura no noroeste da Síria será implementado gradualmente, e algumas operações começarão em breve, revelou nesta quarta-feira um porta-voz do Pentágono.

"Atualmente estamos revisando as opções para o Centro de Coordenação Conjunta com nossos homólogos militares turcos", disse à AFP o porta-voz do departamento de Defesa, comandante Sean Robertson.

"Este mecanismo de segurança será implementado por etapas (...) e os Estados Unidos estão preparados para começar a adotar algumas atividades em breve, enquanto avançam as conversações com a Turquia".

Segundo os termos do acordo firmado entre Ancara e Washington na semana passada, as autoridades utilizarão o Centro de Coordenação, situado na Turquia, para organizar uma zona segura no noroeste da Síria.

O objetivo da zona de segurança é criar um área 'tampão' entre o território turco e as zonas controladas pelas Unidades de Defesa do Povo Curdo (YPG), que têm o apoio dos Estados Unidos, apesar de Ancara qualificá-las de organização terrorista.

Washington quer impedir operações de Ancara contra as YPG, que controlam uma vasta região do norte da Síria e que teve importância vital para Washington na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Os curdos, minoria étnica marginalizada durante anos na Síria, criaram uma região semiautônoma no norte do país no início do conflito armado em 2011.

Mas para o regime de Damasco, que retomou o controle de mais de 60% do território sírio, o acordo turco-americano constitui uma "agressão flagrante contra a soberania e a unidade territorial síria, assim como uma violação dos princípios do Direito Internacional".