EUA rotulará exportações de colônias da Cisjordânia como 'Made in Israel'

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O secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo em coletiva de imprensa em Jerusalém
O secretário de Estado dos EUA Mike Pompeo em coletiva de imprensa em Jerusalém

Estados Unidos vai rotular as exportações das colônias da Cisjordânia como produtos fabricados em Israel, disse nesta quinta-feira (19) Mike Pompeo, que tornou-se o primeiro chefe da diplomacia americana a visitar um assentamento neste território palestino ocupado desde 1967.

"Todos os produtores das áreas onde Israel exerce sua autoridade (...) deverão inscrever em seus produtos 'Made in Israel' ou 'Fabricado em Israel' quando exportarem aos Estados Unidos", disse Pompeo em um comunicado, após visitar o vinhedo de Psagot, localizado em uma colônia israelense da Cisjordânia.

Os acordos israelense-palestinos de Oslo, nos anos 90, dividiram a Cisjordânia em três áreas: A, B e C.

As áreas A e B representam 40% do território e estão principalmente sob controle palestino. A área C, 60% do total da Cisjordânia, está sob controle militar e administrativo de Israel, embora a ideia dos acordos de Oslo seja transferir o controle aos palestinos quando houver um acordo de paz definitivo.

Para Israel, a área C onde está o vale do Jordão e todas as suas colônias, não pode ser considerada hoje um território palestino, mas "em disputa" já que não houve nenhum acordo que sele a paz entre israelenses e palestinos.

O novo ponto de vista americano "reconhece que os produtores da área C trabalham sob o marco administrativo e jurídico de Israel e seus produtos devem ser considerados como tal", disse Pompeo.

Em 2019, a Justiça europeia declarou que os produtos, principalmente alimentos, procedentes dos territórios ocupados por Israel que entrem na União Europeia deverão expressar claramente sua procedência na etiqueta.

Para o responsável, os produtos que saírem das áreas A e B deverão levar a etiqueta "Cisjordânia" e os que saírem da Faixa de Gaza serão identificados com uma etiqueta que diga "Gaza".

"Gaza e Cisjordânia são política e administrativamente (territórios separados) e devem ser considerados como tal", acrescentou Pompeo, referindo-se à divisão entre a Autoridade Palestina de Mahmoud Abbas, com sede em Ramallah (Cisjordânia), e o movimento islamita Hamas, que governa em Gaza, enclave palestino submetido a um bloqueio israelense há mais de uma década.

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