EUA sanciona o presidente do Senado haitiano por narcotráfico

Os Estados Unidos anunciaram nesta sexta-feira (4) sanções contra o presidente do Senado do Haiti, Joseph Lambert, e o ex-senador Youri Latortue, a quem acusam de "contribuir ativamente" para o tráfico de drogas que passa pelo país caribenho.

Segundo o Departamento do Tesouro, Lambert, candidato presidencial no ano passado, e Latortue, um de seus antecessores no cargo e primo do ex-primeiro-ministro Gérard Latortue, "abusaram de seus cargos oficiais para traficar drogas e colaboraram com redes criminosas e gangues para minar o Estado de direito no Haiti".

Em outro comunicado, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirma que Lambert está envolvido em "uma corrupção significativa e uma grave violação dos direitos humanos".

Blinken disse que há ainda evidências de que Lambert está por trás de uma execução extrajudicial.

O Departamento de Estado, que também incluiu nas penalidades a esposa de Lambert, Jesula Lambert Domond, os proíbe de entrar em território americano.

O governo do Canadá, que tem uma grande comunidade haitiana, anunciou que se unirá às sanções dos Estados Unidos tomando medidas semelhantes.

Os anúncios chegam em um momento em que a comunidade internacional tenta ajudar o governo haitiano a restaurar a ordem e recuperar o controle das instalações portuárias, após o aumento da violência das gangues.

Desde meados de setembro, gangues armadas praticamente paralisaram o Haiti, bloqueando até mesmo o terminal de petróleo mais importante do país, o que causou uma escassez de combustível e água potável.

A ONU discute a possibilidade de enviar uma força armada internacional para restabelecer a tranquilidade, a pedido do governo haitiano.

John Kirby, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, disse nesta sexta-feira que estava em discussão uma força multinacional para o Haiti.

Ele esclareceu que "nenhuma decisão foi tomada sobre a participação de nenhum Estado em particular", acrescentando que a força seria limitada ao "fornecimento de assistência humanitária".

Por meio das sanções, o Departamento do Tesouro espera apreender quaisquer bens que os dois políticos tenham sob jurisdição dos EUA e impedir que qualquer indivíduo ou entidade no país, incluindo bancos internacionais, faça negócios com eles.

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