EUA retorna oficialmente ao Acordo de Paris e promete atuar sobre o clima

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(Arquivo) Manifestantes do lado de fora da Corte de Nova York em outubro de 2019, no início do julgamento da Exxon Mobil

Os Estados Unidos retornaram oficialmente ao Acordo de Paris sobre o Clima nesta sexta-feira (19) e o governo do presidente Joe Biden prometeu tornar a batalha ambiental prioridade máxima de seu governo.

Exatamente um mês depois de tomar posse, a maior economia mundial e segunda maior emissora de carbono voltou formalmente ao acordo de 2015 que tem como objetivo combater o aquecimento global.

O reingresso de Washington significa que o Acordo de Paris volta a incluir, virtualmente, todas as nações do mundo, depois que Donald Trump, antecessor de Biden e aliado da indústria dos combustíveis fósseis, retirou os Estados Unidos do pacto, argumentado que era injusto com a superpotência.

Em um discurso na Conferência de Segurança de Munique, Biden pediu aos países europeus que redobrem seus compromissos no combate às mudanças climáticas.

“Não podemos mais atrasar ou fazer o mínimo para lidar com as mudanças climáticas”, disse ele. "Esta é uma crise existencial global. Todos sofreremos as consequências".

"A mudança climática e a diplomacia científica nunca poderão voltar a ser 'agregados' em nossas discussões de política externa", disse o secretário de Estado americano, Antony Blinken, em um comunicado saudando o retorno dos Estados Unidos ao acordo.

"Abordar as ameaças reais da mudança climática e ouvir nossos cientistas está no centro das nossas prioridades de política interna e externa. É vital em nossas discussões sobre segurança nacional, esforços de saúde internacional para a migração e em nossas negociações comerciais e diplomacia econômica", frisou.

Após elogiar o Acordo de Paris, negociado pelo ex-presidente Barack Obama, Blinken disse que a diplomacia climática será crucial.

- Kerry mira em Glasgow -

Biden planeja uma cúpula do clima para 22 de abril, coincidindo com o Dia da Terra. John Kerry, ex-secretário de Estado e agora enviado dos EUA para o clima, pediu ao mundo que aumentasse suas ambições nas conversas sobre o tema na ONU, que serão celebradas em Glasgow, em novembro.

"Acho que temos que acabar com a expressão mudança climática e reconhecer o fato de que agora é crise climática", disse Kerry em um fórum virtual da ONU, comemorando o retorno dos Estados Unidos ao acordo.

"Penso que Glasgow é nossa última e maior esperança para fazer com que o mundo se dirija a tomar um caminho mais seguro", acrescentou.

O novo presidente dos EUA se comprometeu a tornar o setor energético dos EUA livre de poluição até 2035 e que o país passe a ser uma economia de emissões zero até 2050.

Trump, um aliado da indústria de combustíveis fósseis, argumentou que o Acordo de Paris era injusto para os Estados Unidos.

No entanto, os objetivos do Acordo de Paris não são essencialmente vinculantes, e cada país redige suas próprias medidas. Obama e Kerry sempre insistiram neste ponto, conscientes da oposição política em casa.

O Acordo de Paris visa limitar o aumento da temperatura global a 2º Celsius acima dos níveis pré-industriais e continuar os esforços para baixá-lo a 1,5ºC.

O crescente impulso político em torno da questão começa a mostrar que as mudanças climáticas ainda causam um impacto significativo.

Um estudo recente revelou que 480.000 pessoas morreram em desastres naturais relacionados a condições meteorológicas extremas.

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