EUA têm aumento de 1.300% no número de crianças que ingerem por engano produtos à base de cannabis

Um estudo feito por pesquisadores americanos e publicado na revista científica Pediatrics , apontou que o número de crianças que ingerem por engano produtos à base de cannabis nos EUA aumentou drásticamente nos últimos anos. O trabalho aponta que, em 2017, houve pouco mais de 200 casos relatados de consumo acidental de comestíveis de cannabis por crianças menores de seis anos. Em 2021, o número disparou para 3.054 — um aumento de 1.375%.

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O uso recreativo da maconha é liberado em 21 estados americanos e em Washington, DC.

A grande parte das crianças encontrou a droga em sua própria casa. Enquanto a maioria dos pequenos sofreu impactos leves, 22,7% das crianças expostas precisaram de hospitalização e 8% delas — 573 crianças — precisaram de cuidados intensivos.

Desde que o estado de Colorado legalizou o uso recreativo da droga, inúmeros produtos comestíveis a base de maconha começaram a serem vendidos. Dentre os comestíveis feitos com tetraidrocanabinol (THC), o ingrediente psicoativo da maconha, estão gomas, chocolates, pirulitos, biscoitos e outros produtos assados.

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"Muitos produtos comestíveis que contêm THC se assemelham a guloseimas que podem ser facilmente confundidas por uma criança como apenas outro lanche", diz a coautora do estudo, Marit Tweet, médica de emergência e toxicologista médica da Southern Illinois University School of Medicine, em um comunicado.

As crianças não percebem que cada produto pode conter múltiplas doses de THC. "Uma criança não reconheceria a necessidade de parar após 1 mordida/pedaço", dizem os pesquisadores no trabalho. "Dado o menor peso dos pacientes pediátricos, uma dose mais alta de miligramas/quilograma é ingerida, o que coloca as crianças em risco de aumentar a toxicidade dessas exposições."

O estudo foi feito com base nas informações presentes no Sistema Nacional de Dados de Envenenamento dos EUA. Entre 2017 e 2021, mais de 7 mil casos ingestão de produtos à base de cannabis foram relatados. Os pesquisadores descobriram que mais da metade das crianças intoxicadas eram bebês, com idades entre 2 e 3 anos. Além disso, mais de 90% dos pequenos receberam os alimentos em casa.

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As crianças internadas em unidades de terapia intensiva normalmente tinham respiração lenta e batimentos cardíacos reduzidos, mas algumas entraram em coma, descobriram os pesquisadores.

Outros sintomas que as crianças experimentaram:

sonolência

problemas respiratórios

frequência cardíaca rápida

vômito

agitação

confusão

perda do controle muscular

Nenhuma morte foi relatada durante os cinco anos estudados.