EUA têm aumento de temperatura atípico em dezembro, e Nova York fica sem neve

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WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Às vésperas do inverno no hemisfério Norte, jaquetas pesadas, luvas e gorros voltaram para o armário nas últimas semanas em cidades como Washington e Nova York. O frio perto de 0°C, que vinha sendo comum desde o fim de novembro nos Estados Unidos, deu lugar a vários dias com temperaturas mais elevadas, chegando a 18°C.

Em outras partes do país, a alta no termômetro tem sido maior. Uma onda de calor atinge o centro americano e faz com que estados como Oklahoma, Missouri e Illinois convivam com temperaturas em torno de 10°C acima do esperado para dezembro; em Iowa, houve registros de até 20°C acima da média.

A crise climática leva ainda à ocorrência de tempestades e catástrofes, como a série de tornados que mataram mais de 80 pessoas na região do Kentucky no fim de semana passado. Nesta quinta (16), ventos de mais de 100 km/h deixaram ao menos cinco mortos entre Nebraska, Kansas e Iowa.

Um pouco mais ao norte, ainda que grandes nevascas não sejam frequentes, normalmente dezembro registra a queda de neve em boa quantidade duas ou três vezes --em Nova York, há exatamente um ano, o cenário era de ruas tomadas de branco. Até esta quinta (16), porém, nem NY nem Chicago, por exemplo, tinham registrado algum dia do mês com precipitação mensurável (capaz de acumular uma camada de mais de 2,5 cm de neve no solo)

Na quarta (15), aliás, Chicago registrou um recorde de temperatura para dezembro, com 20,5°C.

A ocorrência de um dezembro mais quente nos EUA está ligada a vários fatores, incluindo o aquecimento global. O planeta acaba de enfrentar o quarto novembro mais quente desde 1880, quando o registro começou a ser feito pelo NOAA (Administração Nacional de Atmosfera e Oceanos), órgão federal de estudos de clima dos EUA.

O mês --de final de outono no hemisfério Norte e da primavera no Sul-- foi 0,91°C mais quente do que a média registrada no século 20, de 12,9°C. Esse avanço vem ocorrendo desde os anos 1980, e os cientistas atribuem a alta à ação humana, citando a emissão de poluentes e o desmatamento.

"Muitos fatores geraram o tornado de sexta [10]. Mas se você olhar para as tendências dos últimos 20 a 30 anos, os tornados estão se tornando mais comuns do que antes na região centro-sul dos EUA. E há evidências de que a mudança climática tem impacto nisso", aponta Trent Okerson, meteorologista da TV WPSD, do Kentucky.

"Não é possível ligar diretamente uma tempestade a ela, mas a tendência de que ocorram mais tempestades do tipo certamente existe."

Segundo o meteorologista, indicadores apontam que o clima severo da semana passada tem relação também com os recordes de calor na temperatura das águas do Golfo do México. "Isso ajuda a transportar mais umidade em direção ao centro-sul dos EUA. Um clima mais quente junta mais umidade, o que cria mais tempestades e mais oportunidades para o surgimento de tornados."

O calor aumenta o risco de megatemporais, comuns no verão, mas não nessa época. O tempo fecha quando o ar quente se choca com outra massa de ar frio. E, quanto mais ar quente, mais chuvas e ventos podem ocorrer.

Nos últimos dias, ventanias de mais de 95 km/h, atingiram cidades como Denver (Colorado) e Des Moines (Iowa), gerando problemas como quedas de energia. E estados como Minnesota e Dakota do Sul tiveram alertas de tornado em dezembro pela primeira vez na história. Os serviços de meteorologia vêm emitindo um número alto de alertas de tempestades: na semana passada, foram cerca de mil.

O caso mais grave ocorreu entre os dias 10 e 11, quando tornados atingiram vários Kentucky, Arkansas, Tennessee e Missouri, em uma rota de mais de 300 km. Cidades ficaram destruídas e uma fábrica chegou a desabar por inteiro. Ao menos 88 pessoas morreram.

Outro agravante é o fenômeno La Niña, que voltou, fazendo a superfície da água do oceano Pacífico norte ficar mais fria do que o normal. Entre os efeitos gerados no clima do planeta, que incluem invernos rigorosos e secas, está uma corrente de ar que cruza os EUA de oeste para leste e que forma uma barreira para o ar frio vindo do polo norte. Isso faz com que boa parte do país tenha um inverno mais quente.

A previsão para o resto da estação se mantém em aberto, e os meteorologistas afirmam que é possível haver uma espécie de efeito montanha-russa, com semanas mais abafadas se alternando a outras de tempo congelante. Assim, um Natal com neve em mais cidades não está totalmente descartado.

Vale lembrar que, no começo deste ano, os EUA tiveram um inverno com frio acima da média, com nevascas inclusive em lugares geralmente quentes, como o Texas. A falta de preparo para o frio gerou diversos problemas no estado, como falta de energia elétrica e a paralisação de refinarias de petróleo.

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