EUA vão enviar ao Brasil 3 milhões de doses de vacina contra Covid

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 15.03.2021 - Vacinação de idosos a partir de 75 anos. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 15.03.2021 - Vacinação de idosos a partir de 75 anos. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O governo americano vai enviar diretamente ao Brasil 3 milhões de doses de vacina contra Covid-19 da Janssen, de aplicação única e, portanto, capaz de imunizar 3 milhões de pessoas.

Os imunizantes serão despachados na quinta-feira (24), saindo da Flórida, e chegarão ao aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), ainda nesta semana. Esse é o maior número de vacinas mandadas pelos Estados Unidos para qualquer país até agora de forma direta -ou seja, fora do escopo do Covax, iniciativa vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS) para a distribuição de imunizantes a nações em desenvolvimento.

A informação foi antecipada pela GloboNews e confirmada por Kevin Munoz, secretário-assistente de imprensa da Casa Branca, nas redes sociais. Ele disse que o governo americano vai continuar nesta quinta "o trabalho de enviar mais vacinas para o mundo e acabar com o vírus em todos os lugares, com 3 milhões de doses para o Brasil."

A negociação para a nova doação foi feita diretamente entre a Casa Branca e o governo brasileiro, que fez seu primeiro contato em busca de vacinas em março, depois do pedido de outros líderes da região, como o presidente mexicano.

Até agora, o Brasil não aparecia na lista de doações diretas de vacinas dos EUA, mas somente via Covax -os americanos já anunciaram que cerca de 20 milhões de doses serão compartilhadas com países da América Latina e Caribe nas próximas semanas, parte do total de 80 milhões de doses prometidas por Joe Biden para diversos países do mundo.

O número para a região que inclui o Brasil foi considerado baixo diante dos 438 milhões de habitantes que vivem nos países latino-americanos e caribenhos.

Via Covax, o Brasil terá que dividir as doses com Argentina, Colômbia, Peru, Equador, Paraguai, Bolívia, Uruguai, Guatemala, El Salvador, Honduras, Haiti, República Dominicana, Panamá, Costa Rica e outras nações do Caribe.

Em 3 de junho, a Casa Branca havia divulgado os detalhes de compartilhamento de 25 milhões de doses -6 milhões delas para a América Latina- e, na segunda-feira (21), deu o roteiro para o destino das outras 55 milhões, sendo 14 milhões para os latino-americanos.

No plano americano, cerca de 75% das doses são distribuídos via Covax, de acordo com a participação de cada país no consórcio, enquanto 25% são enviados diretamente pelos EUA para países considerados parceiros dos americanos e que, segundo as autoridades do governo Biden, vivem um surto muito grave de Covid.

A Casa Branca está sob pressão internacional para ajudar nações mais pobres e em desenvolvimento no combate à pandemia, e o governo brasileiro -por meio da embaixada em Washington e o Itamaraty-- pede acesso a parte dos imunizantes.

Com o negacionismo do governo Jair Bolsonaro, novas variantes e um ritmo bastante lento na vacinação, o Brasil patina no combate à pandemia e é hoje um dos epicentros da crise, com mais de 500 mil mortos. Os EUA, por sua vez, são líderes no número de mortos -com cerca de 600 mil vítimas-, mas veem os casos, mortes e hospitalizações caírem vertiginosamente, em meio a uma campanha de imunização em massa de sucesso.

A Casa Branca comprou vacinas suficientes para imunizar três vezes toda a população, aplicou ao menos uma dose em 53% dos americanos, mas vinha sendo criticada por priorizar a vacinação interna, mesmo com excedentes de doses, enquanto diversos lugares do mundo estão assolados pela crise, como é o caso de Brasil.

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