Euphoria mantém impacto visual e narrativo no retorno da segunda temporada

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Euphoria mantém impacto visual e narrativo no retorno da segunda temporada

É difícil não se impactar com Euphoria, série da HBO que voltou para a segunda temporada neste início de 2022. Protagonizada por Zendaya, a MJ de Homem-Aranha Sem Volta Para Casa, o projeto é uma espécie de versão super-produzida e moderna de Kids, polêmico filme de Larry Clark. A questão, porém, é que o roteiro de Sam Levinson vai muito além dos temas intrínsecos à adolescência e jovem fase adulta, e usa de uma narrativa sem rodeios para pontuar dramas familiares a qualquer ser humano.

Enquanto a primeira temporada e o especial de Natal abraçam a jornada de Rue e Jules no meio de um mundo de drogas, amores e doenças mentais, a segunda chega para continuar do mesmo ponto em que a história foi deixada, mas sem tornar o enredo mais amplo e sim mais profundo. O início do episódio mostra o passado de Fezco e como ele se tornou o traficante da cidade. O que poderia ser só um flashback de melodrama dá áreas de filme de máfia à Euphoria, que logo depois dessa introdução mergulha numa simples porém impactante festa de fim de ano.

Zendaya continua em transe com uma Rue perdida na ilusão das drogas ao mesmo tempo, dando a leveza e intensidade necessária para uma personagem que lidera a narrativa da série. Do humor deslocado de uma viciada até os olhares perdidos para a sua amada Jules, a personagem perambula por uma festa recheada de suspense vindo de personagens como Cassie, Fezco, Nate e Maddy. E ainda que sejam ótimos atores, a direção de Levinson evolui a primazia visual da primeira temporada. Um exemplo claro é a fotografia saturada, inspirada em cores fortes, com ambientes super ocupados e uma montagem que evidencia, com câmeras lentas e sombras fortes, os protagonistas no meio de uma multidão de adolescentes festejando, mesmo que eles se vistam, vivam e falem igual a todos que estão ali.

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Os três atos desta estreia, liderados por Fezco, Cassie e Nate, são todos permeados por Rue e representam bem como Euphoria não esquece do cerne da história, pois o que a carrega são os personagens, mas o que a faz diferente são os dilemas que cruzam a vida destes jovens. A tensão construída neste episódio se mistura com a delicadeza do relacionamento de Jules e Rue, enquanto o trauma de Fezco e Ash explode em um clímax digno do último capítulo de temporada. É só o início, não é novidade, mas vemos aqui algo tão promissor quanto a primeira temporada.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice

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